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terça-feira, 12 de julho de 2011

Mens sana in corpore sano

E que história é essa que nerd tem que ser fracote, ruim nos esportes e com mal preparo físico?

Muito antes do poeta romano Juvenal proferir a famosa frase do título, egípcios, chineses e indianos já praticavam exercícios para se preparar para as atividades do dia-a-dia, o trabalho ou a guerra, inclusive em disputas simuladas que depois deram origem aos esportes competitivos e inserindo esses exercícios em rituais, tamanha a sua importância.

Os gregos foram mais além: iam aos gymnasios devidamente despidos (gymnós = pelado) para treinar o corpo, como parte integrante do processo educacional. Já sabiam que um corpo saudável melhora a capacidade de aprendizado, fortalece o espírito, melhora a auto-estima, dá coragem e energia para enfrentar os problemas cotidianos. Além, é claro, do objetivo de criar corpos belos, já que a estética já era reconhecidamente parte importante da filosofia e da cultura.

Por sinal, foi por desprezo pela estética que a Idade Média européia dominada pelos princípios cristãos fez desaparecer a prática rotineira da ginástica, retomada logo que a Renascença floresceu, sendo Rousseau um de seus defensores, e daí foi um pulo até o desenvolvimento dos esportes organizados e do aperfeiçoamento de suas técnicas.

Hoje a ciência compreende muito bem a importância de um bom preparo físico e da prática constante de exercícios para melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças infecciosas, metabólicas ou degenerativas, assim como para otimizar a atividade intelectual, na medida em que equilibra a mente. Sem falar que nerd que se preze, quando escolhe um esporte ou tipo de atividade física, mergulha a fundo na sua história, filosofia, desenvolvimento, biofísica, tecnologia etc., porque conhecimento nunca é demais.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Propostas para a Educação

Um político por aí tem usado como mote de suas campanhas uma proposta de Revolução na Educação. Então resolvi dar a minha contribuição para tão nobre empreita. Minhas propostas são:

1- Aumento da carga horária.
2- Aulas com formatos diversificados.
3- Rede educacional menos pulverizada.
4- Avaliação externa e padronizada.
5- Valorização do professor.

Como é muita coisa para um post só, vou começar hoje tratando do primeiro item.

Aumento da carga horária.

Lugar de criança é na escola, não à toa em casa ou vagando no shopping a tarde toda. Atividades extra-curriculares (línguas, esportes, música, etc.) são importantes, mas precisam ser integradas à educação formal. Então proponho período de 6 horas e 240 dias letivos.

A jornada diária será dividida em dois períodos: 4 horas pela manhã com aulas normais (o modelo de aula será tratado posteriormente) e 2 horas após o almoço — que será servido na própria escola — com atividades esportivas e culturais.
Ainda estou refletindo no melhor modelo para distribuir os dias letivos durante o ano. Agora estou pendendo para o formato de 48 semanas de 5 dias, ou seja, simplesmente reduzir as férias para um mês. Afinal, qual a utilidade de deixar a criança sem aula durante um quarto do ano? Descanso? Pois isso implica que o estudo é uma coisa chata e cansativa, e não é assim que deve ser.

A escola precisa ser o espaço principal de interação social do jovem, um lugar onde ele queira estar sempre. Os fins-de-semana e o mês de férias serão suficientes para manter as atividades familiares, afinal são só esses os períodos que os pais terão disponíveis, de qualquer modo. A parada anual também servirá para dar o merecido descanso aos profissionais do ensino, e para servir aos alunos como um momento de reflexão sobre o ano que passou e preparação para o próximo, uma pausa espiritual e filosófica que marque a mudança de ciclo.

Mas talvez seja interessante manter as atuais 40 semanas, em atenção à tradição nacional de férias longas, mas com 6 dias, sendo o sábado reservado a atividades especiais como festivais, seminários, torneios, feiras, passeios e viagens. Ou qualquer coisa no meio termo.

sábado, 29 de agosto de 2009

... e a verdade vos libertará

Há quem achará estranho um artigo meu iniciando com uma citação bíblica. Antes que me perguntem, minhas convicções sobre religião NÃO mudaram. Acontece que essa frase exprime de forma fantástica um tema que já foi tratado por muitos filósofos: a liberdade e o conhecimento são grandezas diretamente proporcionais. Quanto mais informação, quanto mais cultura o sujeito assimila, maior e mais intensa será sua capacidade de avaliar, de escolher, de decidir. Enfim, mais liberdade ele terá.
O que me levou a essa reflexão foi uma notícia veiculada nos últimos dias, de uma professora que foi flagrada e filmada improvisando passos sensuais no palco de uma festa de funk. O vídeo vazou pela internet e a professora foi demitida. Assisti a notícia num desses programas jornalísticos-sensacionalistas de fim de tarde na TV, onde a própria protagonista era entrevistada. Os comentários dos entrevistadores e do público oscilavam entre a responsabilidade de um educador em manter uma postura exemplar e a liberdade de um profissional em fazer o que lhe der na telha quando fora do ambiente de trabalho. Quero tratar da relação do homem com o trabalho – tema que muito me interessa – mas em outra ocasião. Aqui o que importa são dois conceitos que parecem estar sendo tratados de forma bastante distorcida na nossa sociedade.
O primeiro é a liberdade. Ora, há quem diga que ela não existe de fato, que nossas escolhas são o produto inexorável do meio e dos fatos passados. Pode ser exagero, mas uma coisa é certa: ela jamais é absoluta. Estamos sempre submissos a algo ou alguém, a regras, a hierarquias, a códigos morais, até às nossas próprias limitações, medos, dúvidas e dilemas. Mas acima de tudo, a liberdade de praticar um ato está diretamente ligada às consequências dele. Não é possível querer ser livre para exercer qualquer direito sem tomar em conta a responsabilidade que virá atrelada a ele, inclusive no que toca ao reflexo de nossos atos sobre as outras pessoas. Enquanto formos seres gregários, será impossível dizer que “ninguém tem nada a ver com minha vida”, porque vivemos num sistema onde nossas ações afetam todo o nosso entorno. A professora e todos que a defenderam parecem não ter alcançado esta idéia.
O outro conceito que merece reflexão é o papel da educação na sociedade. Me parece que o dever de educar foi todo despejado sobre a escola, e tudo que está fora dela é naturalmente isento de responsabilidade. Principalmente os meios de comunicação. Quando assisti os apresentadores do programa defendendo a atitude da professora, dizendo que ela tem sim o direito de fazer o que quiser da sua vida pessoal e continuar sendo uma excelente profissional, tive a clara visão de que a imprensa tem como único compromisso o entretenimento. Dizem aquilo que o público quer ouvir, para garantir o lucro dos anunciantes. O problema é que a TV se torna o elo que fecha um círculo mais do que vicioso, um círculo pernicioso: a educação formal, tão ruim, ao mesmo tempo em que não ensina, não consegue mostrar as vantagens de se aprender; o povo passa a achar que a ignorância e a mediocridade são coisas boas e desejáveis; a TV, na ânsia de agradar a esse povo, exibe programas inférteis e que estimulam a falta de cultura e bom gosto; com uma programação tão atrativa a TV toma o lugar da escola como principal fonte de informação, ou pior do que isso, torna-se referência para os próprios educadores, e a escola piora ainda mais.
E aqui voltamos ao inicio deste texto. Enquanto a educação não for tomada como prioridade, enquanto conhecimento e cultura não se tornarem valores apreciados, jamais seremos minimamente livres para construir uma sociedade justa onde todos ganhem.