Mostrando postagens com marcador trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trabalho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Brasil está dando certo

Minha faxineira me abandonou. Consegui outra, mas só ficou duas semanas. E a nova, obviamente, vai me sair mais caro. Enquanto isso tenho ouvido muitas empresas reclamando da dificuldade de conseguir funcionários, principalmente em funções mais braçais, insalubres e pior remuneradas. De tudo isso chego a uma conclusão: o Brasil está dando certo!

Me parece que vivemos hoje um movimento de franco crescimento econômico e social, aumento geral da riqueza e melhor distribuição de riqueza. Associado a um aumento nas ofertas de emprego, os proletários brazucas estão se dando o luxo de escolher onde trabalhar.

Mas e então, quem ocupará esses espaços? Seremos alvo de novas ondas de imigração, dessa vez de países mais pobres que nós? Xenofobia nunca foi marca do espírito brasileiro, mas e se os estrangeiros se tornarem um problema social, demandando serviços saúde, habitação, transporte, etc. que o Estado não consiga suprir?

Passamos muito tempo reclamando do governo que não provê bem-estar para a população, mas ao mesmo tempo nos acostumamos a gozar dos benefícios dessa carência de bem-estar. E veja que não estou falando de ricos contra pobres. Estou falando de gente de TODAS as classes sociais se utilizando de alguma forma dos serviços de pessoas das classes mais abaixo para executar trabalhos que ela não está disposta a fazer.

Em tempos de "politicamente correto" fica difícil e pode soar hipócrita dizer que não sou preconceituoso, mas nesse caso não sou mesmo. O que estou tentando fazer é uma análise sociológica que - mesmo superficial - nos faça pensar: estamos preparados para viver num país sem pobres?

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Feriado

Voltando das férias, chego todo contente e animado no trabalho. A cabeça ainda vagando pelas lembranças do mar e do sol, mas cheio de disposição para recomeçar. No portão da empresa me avisam: "Ah doutor, não tem ninguém aqui hoje, é feriado, aniversário da cidade". Não sabia, já que moro em outro município, decepção total. Mas a surpresa me fez refletir sobre essa coisa de feriados. Qual a razão de se excluir um dia (na verdade vários) do calendário produtivo?

Feriados existem e existiram em todas as culturas, já que cada uma quer manter vivos na memória seus principais eventos cívicos ou religiosos. E é para isso que eles existem: para que as pessoas possam sejam dispensadas dos seus afazeres diários e se dediquem a festejar ou comemorar de alguma forma um fato ou pessoa importante. Feriados religiosos deveriam ser dias de oração, feriados cívicos deveriam ser dia de festa, mas não é isso o que se vê.

Passeando pela cidade no dia que se comemora sua fundação, não vi desfile e fanfarra, não vi festa no parque com piscina de bolinhas e algodão-doce, não vi escolas e prédios públicos enfeitados. Só vi ruas vazias e lojas fechadas. As pessoas simplesmente ficaram em casa, ou esticaram o passeio de fim-de-semana, já que é segunda-feira. As crianças não deixaram de ir à escola para participar de atividades que as ensinasse sobre a história de seu município e de seus fundadores, acredito até que nem saibam alguma coisa sobre isso. Faltaram à escola para fazer... nada.

Então qual a razão da sociedade continuar desperdiçando seu tempo e capital em dias mortos e sem significado? Arrisco um palpite: deve ter muito a ver com uma cultura de trabalho, e da relação do homem com ele, totalmente equivocada. Se Marx disse que o trabalho é a essência do homem, o capitalismo prega que o trabalho é uma mercadoria que o homem vende ao seu empregador. Ainda que eu não seja socialista militante, a primeira definição me é mais simpática. Não foi, porém, a escolhida para dirigir nossas relações profissionais. Na nossa sociedade, trabalho e vida pessoal são coisas absolutamente distintas e inconfundíveis, e é por isso que estamos sempre tentando encolher o tempo de trabalho, porque enquanto trabalhamos não estamos vivendo. Mas é por isso também que nos estafamos quando precisamos trabalhar além do esperado, e exigimos receber remuneração diferencidade por isso. Tratamos como "invasão" e nos irritamos com um telefonema do trabalho durante as férias, não porque toma nosso tempo, mas simplesmente porque "agora não é hora e não quero pensar nisso".

O trabalho é, acima de tudo, nossa contribuição para a sociedade, a base onde se constrói essa grande simbiose chamada humanidade. Não deve e não pode ser dissociado que nenhum outro aspecto da nossa vida, porque no momento em que isso acontece, deixamos de fazer parte da coletividade. Se o capitalismo foi o responsável por criar essa visão mercantilista do trabalho, acredito que ele mesmo tenha a ferramenta para revertê-la: a tecnologia.

Os novos meios de comunicação e de conexão são o caminho para permitir que o homem seja produtivo mesmo enquanto descansa e se diverte, sem prejudicar um ou outro. Aí então poderemos aproveitar um feriado para comemorar nossa cultura coletiva, e não para simplesmente fugir do serviço.