Minha faxineira me abandonou. Consegui outra, mas só ficou duas semanas. E a nova, obviamente, vai me sair mais caro. Enquanto isso tenho ouvido muitas empresas reclamando da dificuldade de conseguir funcionários, principalmente em funções mais braçais, insalubres e pior remuneradas. De tudo isso chego a uma conclusão: o Brasil está dando certo!
Me parece que vivemos hoje um movimento de franco crescimento econômico e social, aumento geral da riqueza e melhor distribuição de riqueza. Associado a um aumento nas ofertas de emprego, os proletários brazucas estão se dando o luxo de escolher onde trabalhar.
Mas e então, quem ocupará esses espaços? Seremos alvo de novas ondas de imigração, dessa vez de países mais pobres que nós? Xenofobia nunca foi marca do espírito brasileiro, mas e se os estrangeiros se tornarem um problema social, demandando serviços saúde, habitação, transporte, etc. que o Estado não consiga suprir?
Passamos muito tempo reclamando do governo que não provê bem-estar para a população, mas ao mesmo tempo nos acostumamos a gozar dos benefícios dessa carência de bem-estar. E veja que não estou falando de ricos contra pobres. Estou falando de gente de TODAS as classes sociais se utilizando de alguma forma dos serviços de pessoas das classes mais abaixo para executar trabalhos que ela não está disposta a fazer.
Em tempos de "politicamente correto" fica difícil e pode soar hipócrita dizer que não sou preconceituoso, mas nesse caso não sou mesmo. O que estou tentando fazer é uma análise sociológica que - mesmo superficial - nos faça pensar: estamos preparados para viver num país sem pobres?
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segunda-feira, 20 de junho de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
O Feriado
Voltando das férias, chego todo contente e animado no trabalho. A cabeça ainda vagando pelas lembranças do mar e do sol, mas cheio de disposição para recomeçar. No portão da empresa me avisam: "Ah doutor, não tem ninguém aqui hoje, é feriado, aniversário da cidade". Não sabia, já que moro em outro município, decepção total. Mas a surpresa me fez refletir sobre essa coisa de feriados. Qual a razão de se excluir um dia (na verdade vários) do calendário produtivo?
Feriados existem e existiram em todas as culturas, já que cada uma quer manter vivos na memória seus principais eventos cívicos ou religiosos. E é para isso que eles existem: para que as pessoas possam sejam dispensadas dos seus afazeres diários e se dediquem a festejar ou comemorar de alguma forma um fato ou pessoa importante. Feriados religiosos deveriam ser dias de oração, feriados cívicos deveriam ser dia de festa, mas não é isso o que se vê.
Passeando pela cidade no dia que se comemora sua fundação, não vi desfile e fanfarra, não vi festa no parque com piscina de bolinhas e algodão-doce, não vi escolas e prédios públicos enfeitados. Só vi ruas vazias e lojas fechadas. As pessoas simplesmente ficaram em casa, ou esticaram o passeio de fim-de-semana, já que é segunda-feira. As crianças não deixaram de ir à escola para participar de atividades que as ensinasse sobre a história de seu município e de seus fundadores, acredito até que nem saibam alguma coisa sobre isso. Faltaram à escola para fazer... nada.
Então qual a razão da sociedade continuar desperdiçando seu tempo e capital em dias mortos e sem significado? Arrisco um palpite: deve ter muito a ver com uma cultura de trabalho, e da relação do homem com ele, totalmente equivocada. Se Marx disse que o trabalho é a essência do homem, o capitalismo prega que o trabalho é uma mercadoria que o homem vende ao seu empregador. Ainda que eu não seja socialista militante, a primeira definição me é mais simpática. Não foi, porém, a escolhida para dirigir nossas relações profissionais. Na nossa sociedade, trabalho e vida pessoal são coisas absolutamente distintas e inconfundíveis, e é por isso que estamos sempre tentando encolher o tempo de trabalho, porque enquanto trabalhamos não estamos vivendo. Mas é por isso também que nos estafamos quando precisamos trabalhar além do esperado, e exigimos receber remuneração diferencidade por isso. Tratamos como "invasão" e nos irritamos com um telefonema do trabalho durante as férias, não porque toma nosso tempo, mas simplesmente porque "agora não é hora e não quero pensar nisso".
O trabalho é, acima de tudo, nossa contribuição para a sociedade, a base onde se constrói essa grande simbiose chamada humanidade. Não deve e não pode ser dissociado que nenhum outro aspecto da nossa vida, porque no momento em que isso acontece, deixamos de fazer parte da coletividade. Se o capitalismo foi o responsável por criar essa visão mercantilista do trabalho, acredito que ele mesmo tenha a ferramenta para revertê-la: a tecnologia.
Os novos meios de comunicação e de conexão são o caminho para permitir que o homem seja produtivo mesmo enquanto descansa e se diverte, sem prejudicar um ou outro. Aí então poderemos aproveitar um feriado para comemorar nossa cultura coletiva, e não para simplesmente fugir do serviço.
Feriados existem e existiram em todas as culturas, já que cada uma quer manter vivos na memória seus principais eventos cívicos ou religiosos. E é para isso que eles existem: para que as pessoas possam sejam dispensadas dos seus afazeres diários e se dediquem a festejar ou comemorar de alguma forma um fato ou pessoa importante. Feriados religiosos deveriam ser dias de oração, feriados cívicos deveriam ser dia de festa, mas não é isso o que se vê.
Passeando pela cidade no dia que se comemora sua fundação, não vi desfile e fanfarra, não vi festa no parque com piscina de bolinhas e algodão-doce, não vi escolas e prédios públicos enfeitados. Só vi ruas vazias e lojas fechadas. As pessoas simplesmente ficaram em casa, ou esticaram o passeio de fim-de-semana, já que é segunda-feira. As crianças não deixaram de ir à escola para participar de atividades que as ensinasse sobre a história de seu município e de seus fundadores, acredito até que nem saibam alguma coisa sobre isso. Faltaram à escola para fazer... nada.
Então qual a razão da sociedade continuar desperdiçando seu tempo e capital em dias mortos e sem significado? Arrisco um palpite: deve ter muito a ver com uma cultura de trabalho, e da relação do homem com ele, totalmente equivocada. Se Marx disse que o trabalho é a essência do homem, o capitalismo prega que o trabalho é uma mercadoria que o homem vende ao seu empregador. Ainda que eu não seja socialista militante, a primeira definição me é mais simpática. Não foi, porém, a escolhida para dirigir nossas relações profissionais. Na nossa sociedade, trabalho e vida pessoal são coisas absolutamente distintas e inconfundíveis, e é por isso que estamos sempre tentando encolher o tempo de trabalho, porque enquanto trabalhamos não estamos vivendo. Mas é por isso também que nos estafamos quando precisamos trabalhar além do esperado, e exigimos receber remuneração diferencidade por isso. Tratamos como "invasão" e nos irritamos com um telefonema do trabalho durante as férias, não porque toma nosso tempo, mas simplesmente porque "agora não é hora e não quero pensar nisso".
O trabalho é, acima de tudo, nossa contribuição para a sociedade, a base onde se constrói essa grande simbiose chamada humanidade. Não deve e não pode ser dissociado que nenhum outro aspecto da nossa vida, porque no momento em que isso acontece, deixamos de fazer parte da coletividade. Se o capitalismo foi o responsável por criar essa visão mercantilista do trabalho, acredito que ele mesmo tenha a ferramenta para revertê-la: a tecnologia.
Os novos meios de comunicação e de conexão são o caminho para permitir que o homem seja produtivo mesmo enquanto descansa e se diverte, sem prejudicar um ou outro. Aí então poderemos aproveitar um feriado para comemorar nossa cultura coletiva, e não para simplesmente fugir do serviço.
quarta-feira, 9 de março de 2011
E vos dou a vida eterna
Dia desses a bomba de gasolina do meu carro quebrou. O mecânico tirou, jogou fora, instalou uma nova e o carro estava perfeito de novo. Qual a função da bomba de gasolina? Transportar o líquido do tanque para o motor. Não é, basicamente, a mesma coisa que faz nosso coração?
Fiquei aqui pensando, e se dispuséssemos de um estoque de “peças sobressalentes” do nosso corpo, ou algum método para construí-las? Poderíamos, a cada enfermidade, simplesmente trocar células, tecidos ou órgãos com problemas por outros novos e sair andando como o meu carro, belos e saudáveis. Ficção científica? Hoje sim, mas a tecnologia avança a passos largos. Órgãos artificiais, células tronco, cirurgias menos invasivas e cruentas, acho que é questão de tempo até alcançarmos estas possibilidades. E então, seremos imortais.
Claro, talvez a morte ainda nos pregue peças. Acidentes, assassinatos e doenças infecciosas podem levar alguns de nós, mas teremos vencido aquela que talvez seja a pior e mais nefasta de todas as doenças: a velhice. Falando assim, dou a impressão que envelhecer e morrer são coisas ruins. Bem, não são. A Morte é nossa amiga, é ela quem garante o equilíbrio populacional, além de ser o motor da evolução. Pode parecer belo e romântico viver para sempre, mas quais serão as conseqüências?
Fiquei aqui pensando, e se dispuséssemos de um estoque de “peças sobressalentes” do nosso corpo, ou algum método para construí-las? Poderíamos, a cada enfermidade, simplesmente trocar células, tecidos ou órgãos com problemas por outros novos e sair andando como o meu carro, belos e saudáveis. Ficção científica? Hoje sim, mas a tecnologia avança a passos largos. Órgãos artificiais, células tronco, cirurgias menos invasivas e cruentas, acho que é questão de tempo até alcançarmos estas possibilidades. E então, seremos imortais.
Claro, talvez a morte ainda nos pregue peças. Acidentes, assassinatos e doenças infecciosas podem levar alguns de nós, mas teremos vencido aquela que talvez seja a pior e mais nefasta de todas as doenças: a velhice. Falando assim, dou a impressão que envelhecer e morrer são coisas ruins. Bem, não são. A Morte é nossa amiga, é ela quem garante o equilíbrio populacional, além de ser o motor da evolução. Pode parecer belo e romântico viver para sempre, mas quais serão as conseqüências?
Para começar, superpopulação – a mãe de todos os desastres ecológicos. Para controlá-la, serão necessárias medidas drásticas de controle de natalidade. Acabo de ler no jornal que até a China está revendo sua política de filho único, frente ao preocupante envelhecimento da população. Nessa esteira, as relações familiares precisarão ser repensadas, já que a maternidade/paternidade perderá quase toda a importância na sociedade.
E quanto aos já combalidos sistemas previdenciários? Homens eternos não poderão jamais se aposentar, porque não haverá jovens que os sustentem. Todos terão que produzir, mas para isso as relações do homem com o trabalho precisaram ser revistas. Não haverá quem agüente passar a maior parte do tempo se dedicando exclusivamente à produção de capital, esperando os dias de descanso que nunca virão.
Nem me arrisco a pensar nos desdobramentos mais filosóficos deste cenário: nossa relação com a morte, a função das religiões, os conflitos de gerações. Deverá ser uma sociedade toda nova, diferente da atual nas suas mais profundas essências. Mas um desafio para o homo sapiens e sua fantástica capacidade de se adaptar.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Analfabetos científicos
Século 21 a.C. Os babilônios já sabiam que a posição das estrelas em determinado horário varia de forma cíclica ao longo do ano, uma consequência do movimento de translação da terra. Resolvem então dividir a região equatorial do céu em 12 partes iguais, dar a cada uma o nome de um ser mitológico e chamar esse arranjo todo de Zodíaco. Determinam que a posição do sol no dia do nascimento de cada pessoa tem uma forte influência sobre sua personalidade e comportamento.
Século 2 a.C. O filósofo Hiparco descobre que esse ciclo anual não é constante. Na verdade há um outro ciclo, contrário ao primeiro, que faz com que a cada ano, no mesmo dia, a posição das estrelas em relação ao sol também varie. Calcula que esse ciclo é de aproximadamente 26.000 anos, portando a cada 2170 anos o sol “anda” uma faixa zodiacal para trás (hoje se sabe que o ciclo é de 25.770 anos). Esse fenômeno é consequência de um movimento da terra chamado PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS e há bastante informação sobre ele na Internet. Basta googlear.
Século 21 d.C. O astrônomo estadunidense Park Kundle resolve revelar ao mundo que os signos estão errados graças ao desconhecimento do movimento de precessão por parte dos babilônios.
Olhem que interessante, um fato que já é conhecido há mais de dois mil anos. Que até os atuais astrólogos e místicos conhecem, tanto que a partir dele criaram as “eras astrológicas”. Que qualquer um que conheça algum fundamento de astronomia sabe. Que constantemente vira tema de discussão entre astrólogos, astrônomos e seus simpatizantes, de repente ganha a mídia e vira assunto polêmico, revolucionário.
Parece ter alguma coisa errada nessa história? Tem sim, aliás duas. A primeira é o absoluto analfabetismo científico que assola a humanidade. Existem os analfabetos formais, que não sabem desenhar o próprio nome; os analfabetos funcionais que não conseguem interpretar ou produzir textos elementares; os analfabetos políticos de Brecht e os meus analfabetos científicos. São pessoas que não conhecem os fundamentos da ciência, como ela funciona, para que serve, quais seus métodos, princípios e limitações. Não sabem diferenciar o conhecimento gerado pela ciência daquele fruto de outras árvores, não entendem as peculiaridades de cada um. E o pior de tudo é que são a maioria esmagadora da população.
O segundo problema é a credibilidade dos meios de comunicação de massa para esses analfabetos. Os astrônomos de Minessota fizeram a declaração “bombástica” numa entrevista à revista Time, uma publicação não especializada em ciência, escrita por jornalistas e não por cientistas. Algo como as nossas Veja e Época. Parece que os jornalistas sofrem também de um alto grau de analfabetismo científico, ou então o tom estrondoso dado a um assunto já muito batido foi má fé mesmo, barulho para vender revista. Acontece que os analfabetos leitores têem esses meios como sua única fonte de informação, e transformam tudo que há neles em verdade absoluta. E agora a Internet está cheia de páginas dizendo que Kundle et al. fizeram uma grande descoberta.
Século 2 a.C. O filósofo Hiparco descobre que esse ciclo anual não é constante. Na verdade há um outro ciclo, contrário ao primeiro, que faz com que a cada ano, no mesmo dia, a posição das estrelas em relação ao sol também varie. Calcula que esse ciclo é de aproximadamente 26.000 anos, portando a cada 2170 anos o sol “anda” uma faixa zodiacal para trás (hoje se sabe que o ciclo é de 25.770 anos). Esse fenômeno é consequência de um movimento da terra chamado PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS e há bastante informação sobre ele na Internet. Basta googlear.
Século 21 d.C. O astrônomo estadunidense Park Kundle resolve revelar ao mundo que os signos estão errados graças ao desconhecimento do movimento de precessão por parte dos babilônios.
Olhem que interessante, um fato que já é conhecido há mais de dois mil anos. Que até os atuais astrólogos e místicos conhecem, tanto que a partir dele criaram as “eras astrológicas”. Que qualquer um que conheça algum fundamento de astronomia sabe. Que constantemente vira tema de discussão entre astrólogos, astrônomos e seus simpatizantes, de repente ganha a mídia e vira assunto polêmico, revolucionário.
Parece ter alguma coisa errada nessa história? Tem sim, aliás duas. A primeira é o absoluto analfabetismo científico que assola a humanidade. Existem os analfabetos formais, que não sabem desenhar o próprio nome; os analfabetos funcionais que não conseguem interpretar ou produzir textos elementares; os analfabetos políticos de Brecht e os meus analfabetos científicos. São pessoas que não conhecem os fundamentos da ciência, como ela funciona, para que serve, quais seus métodos, princípios e limitações. Não sabem diferenciar o conhecimento gerado pela ciência daquele fruto de outras árvores, não entendem as peculiaridades de cada um. E o pior de tudo é que são a maioria esmagadora da população.
O segundo problema é a credibilidade dos meios de comunicação de massa para esses analfabetos. Os astrônomos de Minessota fizeram a declaração “bombástica” numa entrevista à revista Time, uma publicação não especializada em ciência, escrita por jornalistas e não por cientistas. Algo como as nossas Veja e Época. Parece que os jornalistas sofrem também de um alto grau de analfabetismo científico, ou então o tom estrondoso dado a um assunto já muito batido foi má fé mesmo, barulho para vender revista. Acontece que os analfabetos leitores têem esses meios como sua única fonte de informação, e transformam tudo que há neles em verdade absoluta. E agora a Internet está cheia de páginas dizendo que Kundle et al. fizeram uma grande descoberta.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Momento Saraiva
Me desculpem se vou parecer pedante, mas é fato: a burrice me irrita. Sei que inteligência - como qualquer outra característica biológica - obedece a uma distribuição normal, portanto não se pode culpar alguém por não ter muito dela. É um sujeito estatisticamente azarado.
Mas há limites. Situações ridículas como estas que conto abaixo são fruto de uma total despreocupação em fazer o cérebro funcionar, e considero um verdadeiro desrespeito ao interlocutor. Vejam se não concordam comigo:
1 - Loja de shopping, acessórios para jovens. Escolhi o produto e fui até o caixa pagar. A atendente, jovem também, confirma o valor e eu pergunto se é possível parcelar. E ela me informa que para este valor é possível parcelar em até... UMA VEZ!!! Não foi brincadeira, não foi mal-entendido. Perguntei de novo, confirmei, insisti, e ela reticente me disse que era isso mesmo. Eu podia pagar à vista, ou então parcelar, mas em até uma vez.
2 - Lanchonete de beira de estrada, dessas grandes redes. Pedi um chocolate quente. "Pequeno ou médio?", me pergunta a balconista. Falei que queria o grande. Mas NÃO EXISTE GRANDE!!!. Ora, se só existem dois tamanhos, um será o pequeno, e o outro o grande. Médio deve ser uma coisa intermediária entre os dois. É como dizer que a pessoa tem dois filhos: o primogênito e o do meio. Só. Não tem o caçula.
3 - Recebi uma correspondência por SEDEX 10. No condomínio onde moro toda correspondência que exija confirmação de recebimento é colhida pela administração, que coloca um bilhete de aviso na caixa de correio do morador. Este deve então se dirigir ao escritório, pegar a encomenda e assinar um livro de recebimento. Como minha correspondência já havia sido postada há uma semana e eu ainda não recebera o aviso, fui até a administração. Minha encomenda estava lá há 6 dias. A secretária me informou que para documentos em SEDEX 10 eles não colocam o bilhete, mas ligam para o morador avisando. Ela me ligou mas ninguém atendeu. Eu disse que o meu interfone estava com defeito há alguns dias, com a campainha disparando, por isto estava fora do gancho. Ela me disse que isto estava acontecendo com todos os interfones do meu bloco. ELA SABIA!!! E CONTINUAVA ME LIGANDO!!!
Me desculpem de novo, mas não dá pra não ficar irritado. TOLERÂNCIA ZERO!!!
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Responsabilidade social
O prefeito de São Paulo, Giberto Kassab, acaba de aprovar projeto que exigirá de quem construir na cidade empreendimentos que gerem muito tráfego, como shopping-centers, igrejas e edifícios comerciais ou residenciais, investimentos no trânsito da região. Apesar de todas as ressalvas que faço ao prefeito, acho que dessa vez acertou em cheio. Isso sim é responsabilidade social, de verdade. Vai além de doar algumas migalhas ao Criança Esperança ou cortar a grama da praça em frente à empresa.
Acredito que uma empresa, sem prejuízo de seu objetivo maior que é dar lucro, precisa se entender como parte de uma comunidade a quem oferece bens ou serviços, mas de quem depende diretamente. E não estou falando só dos consumidores, mas de todas as pessoas e sistemas afetados pelo seu funcionamento. Toda empresa precisa ser responsável pelas conseqüências do seu trabalho.
Se o empreendimento vai piorar o trânsito da cidade, precisa se preocupar com isso e dar sua contribuição na solução. O mesmo vale para a empresa que embala os seu produto com materiais descartáveis, para a indústria automobilística que produz veículos poluidores, para o fabricante de cigarros que enche os leitos dos hospitais públicos de doentes graves. Não basta satisfazer a necessidade do consumidor, é preciso cuidar dos "efeitos adversos" que seus produtos causam à comunidade.
sábado, 15 de agosto de 2009
Uma visão de liderança
A maioria das pessoas é individualmente capaz de tomar atitudes e resolver seus próprios problemas, mas quando estamos em um grupo, acontece um fenômeno interessante, a iniciativa arrefece. Parece que cada um fica olhando para todos os outros esperando uma ação, talvez por medo de ser criticado ou ignorado, talvez por não ter certeza de que sua solução é melhor do que a do colega. De repente alguém vence essa barreira, toma a iniciativa, e todos seguem atrás. Um líder foi parido.
Uma pesquisa rápida entre livros, revistas ou artigos na área de administração mostra que um dos temas abordados com mais frequência é justamente a "Liderança". Características inatas ou aprendidas dos líderes, responsabilidades, atitudes. Mas minha pequena experiência pessoal - porque Nerd tem que ser observador - me mostra que a coisa é bem mais simples. Se tornar um líder não é muito difícil, em especial se a pessoa possuir algumas poucas habilidades. Manter -se na posição ou ser um bom líder depende exclusivamente de boa vontade e visão de coletividade.
As motivações para vencer a tal letargia grupal são variadas. Há os que conseguem ter uma visão mais clara do problema e percebem o quanto é fácil resolvê-lo, mas também há aqueles que simplesmente se importam menos com a opinião alheia e fazem o que precisa ser feito. Há os que percebem claramente a oportunidade de se tornarem líderes, e a desejam, e há os que apenas querem ajudar os pares, encontram a solução e a aplicam. A diferença entre assumir ativa e voluntariamente a liderança ou a assimilar como algo natural e inesperado pode ter relação direta com a qualidade do trabalho futuro, não por uma relação causal direta, mas por indicar qualidades e princípios importantes para o desenvolvimento da atividade de liderar.
De qualquer forma, para se manter como um bom líder são necessárias certas competências que podem ser aprendidas e cultivadas, como a capacidade de ouvir, o carisma motivador e a habilidade de gerenciar conflitos. É preciso também saber lidar com as críticas e até capitalizá-las a seu favor. Porque mesmo que o grupo não tenha sido capaz de tomar a iniciativa de solucionar o problema, não hesitará em criticar quem o faça, por discordar de suas opiniões ou até por mera e vil inveja de sua posição.
A mais importante qualidade de um bom líder é, no entanto, fruto de sua própria consciência. Não há escolas ou métodos para ensiná-la, e só quem é capaz de abrir seus horizontes e entender em profundidade o funcionamento das sociedades é capaz de alcancá-la. É o entendimento de que cada ação de cada membro do grupo deve contribuir para o crescimento coletivo, ainda que aparentemente cause prejuízo individual. Isso porque tal prejuízo é sempre temporário, a longo prazo todos acabam ganhando, assim como benefícios individuais em detrimento do coletivo sempre se acumulam e a longo prazo levam à deterioração, colapso e falência do grupo.
Uma pesquisa rápida entre livros, revistas ou artigos na área de administração mostra que um dos temas abordados com mais frequência é justamente a "Liderança". Características inatas ou aprendidas dos líderes, responsabilidades, atitudes. Mas minha pequena experiência pessoal - porque Nerd tem que ser observador - me mostra que a coisa é bem mais simples. Se tornar um líder não é muito difícil, em especial se a pessoa possuir algumas poucas habilidades. Manter -se na posição ou ser um bom líder depende exclusivamente de boa vontade e visão de coletividade.
As motivações para vencer a tal letargia grupal são variadas. Há os que conseguem ter uma visão mais clara do problema e percebem o quanto é fácil resolvê-lo, mas também há aqueles que simplesmente se importam menos com a opinião alheia e fazem o que precisa ser feito. Há os que percebem claramente a oportunidade de se tornarem líderes, e a desejam, e há os que apenas querem ajudar os pares, encontram a solução e a aplicam. A diferença entre assumir ativa e voluntariamente a liderança ou a assimilar como algo natural e inesperado pode ter relação direta com a qualidade do trabalho futuro, não por uma relação causal direta, mas por indicar qualidades e princípios importantes para o desenvolvimento da atividade de liderar.
De qualquer forma, para se manter como um bom líder são necessárias certas competências que podem ser aprendidas e cultivadas, como a capacidade de ouvir, o carisma motivador e a habilidade de gerenciar conflitos. É preciso também saber lidar com as críticas e até capitalizá-las a seu favor. Porque mesmo que o grupo não tenha sido capaz de tomar a iniciativa de solucionar o problema, não hesitará em criticar quem o faça, por discordar de suas opiniões ou até por mera e vil inveja de sua posição.
A mais importante qualidade de um bom líder é, no entanto, fruto de sua própria consciência. Não há escolas ou métodos para ensiná-la, e só quem é capaz de abrir seus horizontes e entender em profundidade o funcionamento das sociedades é capaz de alcancá-la. É o entendimento de que cada ação de cada membro do grupo deve contribuir para o crescimento coletivo, ainda que aparentemente cause prejuízo individual. Isso porque tal prejuízo é sempre temporário, a longo prazo todos acabam ganhando, assim como benefícios individuais em detrimento do coletivo sempre se acumulam e a longo prazo levam à deterioração, colapso e falência do grupo.
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