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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cobrança inteligente

Dia desses ouvi falar sobre uma proposta do governo do Estado de São Paulo de acabar com a cobrança manual nos pedágios das rodovias estaduais e implantar o sistema "Sem Parar / Via Fácil" em 100% das cancelas. Se alguém não conhece, esse sistema faz o controle da passagem do carro através de um dispositivo (tag) colado no para-brisas que aciona um sensor na cabine do pedágio. A cobrança é feita através de cobrança bancária. Hoje o sistema é opcional e cobra taxas de instalação e manutenção; caso se torne obrigatório deveria se tornar gratuito. Sem entrar no mérito de quem lucraria com essa mudança, acho que ela é extremamente inteligente. Reduz o custo de manutenção do sistema ao dispensar pessoal de cobrança, diminui as filas nos dias e horários de pico e principalmente abre espaço para formas mais inteligentes de cobrar.

Hoje a definição da posição das praças de pedágio é feita por critérios um tanto subjetivos, e inevitavelmente causam injustiças, já que o valor cobrado jamais será proporcional à distância percorrida. Com um sistema eletrônico seria possível instalar - com baixo custo - vários pontos de verificação, de forma que o sistema calcularia exatamente quanto cada veículo transitou em cada rodovia fazendo uma cobrança mais exata, e até definir tarifas diferenciadas para períodos de maior ou menor fluxo.

Coisa semelhante foi divulgada recentemente para o fornecimento público de água, em que hidrômetros eletrônicos conectados à companhia de abastecimento permitiriam calcular quanto foi gasto a cada momento. Isso permitiria também a tarifação ajustada de acordo com os dias e horários de maior demanda.

Esses dois exemplos (e poderíamos citar muitos outros) demonstram como ainda desperdiçamos tempo e recursos em métodos ineficientes, ao invés de usar tecnologias já disponíveis e acessíveis como aliadas na otimização das relações do nosso dia-a-dia.

quarta-feira, 9 de março de 2011

E vos dou a vida eterna

Dia desses a bomba de gasolina do meu carro quebrou. O mecânico tirou, jogou fora, instalou uma nova e o carro estava perfeito de novo. Qual a função da bomba de gasolina? Transportar o líquido do tanque para o motor. Não é, basicamente, a mesma coisa que faz nosso coração?

Fiquei aqui pensando, e se dispuséssemos de um estoque de “peças sobressalentes” do nosso corpo, ou algum método para construí-las? Poderíamos, a cada enfermidade, simplesmente trocar células, tecidos ou órgãos com problemas por outros novos e sair andando como o meu carro, belos e saudáveis. Ficção científica? Hoje sim, mas a tecnologia avança a passos largos. Órgãos artificiais, células tronco, cirurgias menos invasivas e cruentas, acho que é questão de tempo até alcançarmos estas possibilidades. E então, seremos imortais.

Claro, talvez a morte ainda nos pregue peças. Acidentes, assassinatos e doenças infecciosas podem levar alguns de nós, mas teremos vencido aquela que talvez seja a pior e mais nefasta de todas as doenças: a velhice. Falando assim, dou a impressão que envelhecer e morrer são coisas ruins. Bem, não são. A Morte é nossa amiga, é ela quem garante o equilíbrio populacional, além de ser o motor da evolução. Pode parecer belo e romântico viver para sempre, mas quais serão as conseqüências?

Para começar, superpopulação – a mãe de todos os desastres ecológicos. Para controlá-la, serão necessárias medidas drásticas de controle de natalidade. Acabo de ler no jornal que até a China está revendo sua política de filho único, frente ao preocupante envelhecimento da população. Nessa esteira, as relações familiares precisarão ser repensadas, já que a maternidade/paternidade perderá quase toda a importância na sociedade.

E quanto aos já combalidos sistemas previdenciários? Homens eternos não poderão jamais se aposentar, porque não haverá jovens que os sustentem. Todos terão que produzir, mas para isso as relações do homem com o trabalho precisaram ser revistas. Não haverá quem agüente passar a maior parte do tempo se dedicando exclusivamente à produção de capital, esperando os dias de descanso que nunca virão.

Nem me arrisco a pensar nos desdobramentos mais filosóficos deste cenário: nossa relação com a morte, a função das religiões, os conflitos de gerações. Deverá ser uma sociedade toda nova, diferente da atual nas suas mais profundas essências. Mas um desafio para o homo sapiens e sua fantástica capacidade de se adaptar.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O novo livro

Responda depressa, quando foi que surgiu a inovação tecnológica mais revolucionária da História? Difícil escolher uma data, mas acho que 1455 é um grande candidato. Não sabe o que aconteceu nesse ano? Foi quando Johannes Gutenberg concluiu seu primeiro livro impresso, o primeiro que a humanidade já vira. Bom, na verdade houve outros, mas o sistema de Gutenberg permitiu algo novo: a escala. Agora era possível fazer centenas de cópias de um mesmo texto, dando a milhares de pessoas a possibilidade de conhecê-lo a um custo razoável. Finalmente o conhecimento estava popularizado. E o mais incrível é que assim continuou por mais de 550 anos! Poucas invenções sobreviveram tanto tempo sem serem substituídas por algo mais moderno. É claro que os livros de hoje não são impressos em prensas de uva com tipos de chumbo fundido, mas a base é a mesma, o papel encadernado. Pelo menos até agora.

Há tempos vem se discutindo se o computador vai acabar com o livro, discussões de gente graúda, às vezes bem acaloradas - até Umberto Eco tem um texto excelente sobre o assunto que inicia na Biblioteca de Alexandria - em que o papel costuma ser defendido com argumentos românticos sobre impressões táteis, olfatórias e sentimentais. Eu mesmo sou um bibliófilo inveterado, compro mais livros do que consigo ler e sinto muita dor no coração quando tenho que me desfazer de algum. Isso tudo até é verdade, mas só quem já se acostumou a manipular livros físicos criou com o tempo uma relação emocional com eles. Se o livro for substituído por algo melhor as novas gerações não vão se habituar com ele. Só para ilustrar, podemos lembrar o que aconteceu com o disco de vinil, que hoje se contenta em ser objeto de colecionador e onda cult. Ninguém com menos de 25 anos sente saudade deles.

Outro argumento é a praticidade, mobilidade, conforto físico e visual. Outras verdades, mas é justamente aí que estão os desafios que deverão ser transpostos pela tecnologia que se pretender substituta do papel encadernado.

2010 será o ano dos tablets - todos os fabricantes de hardware querem desenvolver o seu e os programadores estão ávidos para lançarem aplicativos. Antes deles apareceram os e-books para web, os e-readers, a e-ink (que será ótima quando for colorida). Parece que estamos no caminho certo, as tecnologias estão convergindo, se aprimorando, reduzindo custo.

Em breve encontraremos um formato com a mesma mobilidade e conforto do livro de papel, então o próximo passo deverá ser a ampliação da oferta de títulos em formato eletrônico. Textos novos e também aqueles contidos nos velhos, surrados e empoeirados blocos de papel esperando para serem transcritos para o novo meio. Só que agora não mais pelos quase tão velhos monges copistas medievais, desempregados por Gutenberg.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Resoluções de ano novo

Talvez eu seja óbvio, mas a primeira resolução será escrever com frequência rigorosa neste blog (Acho que todo mundo que tem um blog dormente diz isso no começo do ano).
Então vamos começar.
Resolvi esse ano ser um usuário da tecnologia. "Como assim?", você me pergunta, "Você se autointitula nerd e agora vem me dizer que não usava tecnologia?" Não é isso, eu uso sim, e bastante. Me considero até um conhecedor avançado, mas cheguei à conclusão que não uso de forma efetiva. E mais, que pouca gente usa.
Vamos do começo: o que é tecnologia? É qualquer ferramenta que permite executar tarefas com menos esforço, menos tempo, menos custo ou menos perdas do que se fosse executada sem ela. E você percebe o quanto você usa seus gadgets para firulas, sem objetivo prático. Pois bem, é por isso que agora vou usar a eletrônica, a informática, as telecomunicações para o fim a que se destinam - aumentar a eficiência das coisas que faço.
Mas agora vem a parte mais divertida da história, o que é eficiêcia? É uma relação entre o volume de recursos gasto numa tarefa (tempo, dinheiro, mão-de-obra, etc) e o volume de resultados obtidos por ela. Então, a tecnologia serve para conseguir mais resultados com menos recursos, certo? Mais ou menos...
Pra começar, uma tecnologia pode ser hábil em economizar um determinado recurso e ao mesmo tempo gastar mais de outro. Por exemplo, pode ser mais rápido mandar um SMS para sua vizinha, mas com certeza é mais caro do que uma bilhete deixado debaixo da porta. Então é preciso escolher que recurso se quer economizar. Eu já decidi: o tempo. Quero usar a tecnologia para ganhar tempo.
Outra questão é que a tecnologia melhora a relação entre recurso e resultado, mas isso pode ser visto de duas formas: Mais resultado com os mesmos recursos ou menos recursos para o mesmo resultado. Ou então um pouco de cada, num continuum entre os extremos. Pra o meu recurso-chave, o tempo, geralmente a regra - ditada por nerds e executivos - é usar a tecnologia para fazer mais coisas no exíguo tempo disponível. Pois eu não quero isso, quero simplesmente cumprir minhas obrigações em menos tempo, e com isso vai fazer sobrar tempo. Esse tempo extra será usado para as coisas que fazem a vida valer a pena: viajar, estudar, namorar, ler, filosofar, andar de moto, de cavalo, de bicicleta, cantar e tocar. Enfim, seguir o conselho de De Masi.
Essa é a resolução de ano novo, espero que não morra antes do carnaval. Assim como este blog.
Feliz 2011 para todos!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Os avanços da tecnologia

Abril de 1989, festa de aniversário em casa. Montei a playlist numa folha de caderno, separei os LPs (os que tinha em casa e os que precisei emprestar). Aparelho de som três-em-um para colocar tudo em ordem nas três fitas-cassete 90 minuto. 4,5 horas de trabalho de gravação. 4,5 horas de música ininterrupta, bastando virar ou trocar as fitas a cada 45 minutos (meu som não tinha auto-reverse). Sucesso total.
Abril de 2010, festa de aniversário na casa da minha irmã, que tem piscina e churrasqueira. Não montei a playlist, porque a quantidade de músicas disponíveis era imensa, mais fácil ir abrindo os muitos CDs um a um e ir copiando para o notebook. Depos é só ordenar e transferir para um pen-drive e ligar na porta USB do aparelho de som. Total de 152 músicas, mais de 8 horas - mesmo que a festa só dure 5. No primeiro teste o aparelho leu fora de ordem. No segundo, depois de apagar o pen-drive e copiar as músicas de novo, as últimas músicas sumiram, porque estava tudo na raiz e o aparelho só aceita 148 arquivos por pasta (de onde ele tirou esse número?). Então voltei o pen-drive para o notebook, separei as músicas em pastas menores e gravei de novo. Parece que funcionou, mas na dúvida gravei um CD. Dois dias trabalhando, nem me atrevo a contar as horas. Preciso dormir.
Dia da festa, som montado, CD a postos, músicas tocando na ordem. Até a 19, depois... parou. Parece que por alguma razão bizarra o aparelho só leu 19 arquivos. Esqueci o pen-drive em casa, então a solução é abrir o CD no mac-book da minha irmã, gravar no i-pod do meu sobrinho e conectar este (o i-pod, não o sobrinho) no aparelho de som. Nada feito, não tem cabo. Maldita Apple com seus conectores proprietários, porque se fosse um simples mini-USB eu usava o cabo da máquina fotográfica. Ainda resta a opção de gravar outro CD, mas descubro que no CD original só tem mesmo aqueles 19 arquivos. Talvez culpa do Nero, talvez de Morfeu ou de um outro nome clássico qualquer. E corre a festa com o que está disponível no porta-CDs do carro.
Moral: a tecnologia veio para resolver os problemas que não existiam antes dela.