terça-feira, 12 de julho de 2011

Mens sana in corpore sano

E que história é essa que nerd tem que ser fracote, ruim nos esportes e com mal preparo físico?

Muito antes do poeta romano Juvenal proferir a famosa frase do título, egípcios, chineses e indianos já praticavam exercícios para se preparar para as atividades do dia-a-dia, o trabalho ou a guerra, inclusive em disputas simuladas que depois deram origem aos esportes competitivos e inserindo esses exercícios em rituais, tamanha a sua importância.

Os gregos foram mais além: iam aos gymnasios devidamente despidos (gymnós = pelado) para treinar o corpo, como parte integrante do processo educacional. Já sabiam que um corpo saudável melhora a capacidade de aprendizado, fortalece o espírito, melhora a auto-estima, dá coragem e energia para enfrentar os problemas cotidianos. Além, é claro, do objetivo de criar corpos belos, já que a estética já era reconhecidamente parte importante da filosofia e da cultura.

Por sinal, foi por desprezo pela estética que a Idade Média européia dominada pelos princípios cristãos fez desaparecer a prática rotineira da ginástica, retomada logo que a Renascença floresceu, sendo Rousseau um de seus defensores, e daí foi um pulo até o desenvolvimento dos esportes organizados e do aperfeiçoamento de suas técnicas.

Hoje a ciência compreende muito bem a importância de um bom preparo físico e da prática constante de exercícios para melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças infecciosas, metabólicas ou degenerativas, assim como para otimizar a atividade intelectual, na medida em que equilibra a mente. Sem falar que nerd que se preze, quando escolhe um esporte ou tipo de atividade física, mergulha a fundo na sua história, filosofia, desenvolvimento, biofísica, tecnologia etc., porque conhecimento nunca é demais.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cobrança inteligente

Dia desses ouvi falar sobre uma proposta do governo do Estado de São Paulo de acabar com a cobrança manual nos pedágios das rodovias estaduais e implantar o sistema "Sem Parar / Via Fácil" em 100% das cancelas. Se alguém não conhece, esse sistema faz o controle da passagem do carro através de um dispositivo (tag) colado no para-brisas que aciona um sensor na cabine do pedágio. A cobrança é feita através de cobrança bancária. Hoje o sistema é opcional e cobra taxas de instalação e manutenção; caso se torne obrigatório deveria se tornar gratuito. Sem entrar no mérito de quem lucraria com essa mudança, acho que ela é extremamente inteligente. Reduz o custo de manutenção do sistema ao dispensar pessoal de cobrança, diminui as filas nos dias e horários de pico e principalmente abre espaço para formas mais inteligentes de cobrar.

Hoje a definição da posição das praças de pedágio é feita por critérios um tanto subjetivos, e inevitavelmente causam injustiças, já que o valor cobrado jamais será proporcional à distância percorrida. Com um sistema eletrônico seria possível instalar - com baixo custo - vários pontos de verificação, de forma que o sistema calcularia exatamente quanto cada veículo transitou em cada rodovia fazendo uma cobrança mais exata, e até definir tarifas diferenciadas para períodos de maior ou menor fluxo.

Coisa semelhante foi divulgada recentemente para o fornecimento público de água, em que hidrômetros eletrônicos conectados à companhia de abastecimento permitiriam calcular quanto foi gasto a cada momento. Isso permitiria também a tarifação ajustada de acordo com os dias e horários de maior demanda.

Esses dois exemplos (e poderíamos citar muitos outros) demonstram como ainda desperdiçamos tempo e recursos em métodos ineficientes, ao invés de usar tecnologias já disponíveis e acessíveis como aliadas na otimização das relações do nosso dia-a-dia.