segunda-feira, 10 de maio de 2010

Momento Saraiva

Me desculpem se vou parecer pedante, mas é fato: a burrice me irrita. Sei que inteligência - como qualquer outra característica biológica - obedece a uma distribuição normal, portanto não se pode culpar alguém por não ter muito dela. É um sujeito estatisticamente azarado.
Mas há limites. Situações ridículas como estas que conto abaixo são fruto de uma total despreocupação em fazer o cérebro funcionar, e considero um verdadeiro desrespeito ao interlocutor. Vejam se não concordam comigo:
1 - Loja de shopping, acessórios para jovens. Escolhi o produto e fui até o caixa pagar. A atendente, jovem também, confirma o valor e eu pergunto se é possível parcelar. E ela me informa que para este valor é possível parcelar em até... UMA VEZ!!! Não foi brincadeira, não foi mal-entendido. Perguntei de novo, confirmei, insisti, e ela reticente me disse que era isso mesmo. Eu podia pagar à vista, ou então parcelar, mas em até uma vez.
2 - Lanchonete de beira de estrada, dessas grandes redes. Pedi um chocolate quente. "Pequeno ou médio?", me pergunta a balconista. Falei que queria o grande. Mas NÃO EXISTE GRANDE!!!. Ora, se só existem dois tamanhos, um será o pequeno, e o outro o grande. Médio deve ser uma coisa intermediária entre os dois. É como dizer que a pessoa tem dois filhos: o primogênito e o do meio. Só. Não tem o caçula.
3 - Recebi uma correspondência por SEDEX 10. No condomínio onde moro toda correspondência que exija confirmação de recebimento é colhida pela administração, que coloca um bilhete de aviso na caixa de correio do morador. Este deve então se dirigir ao escritório, pegar a encomenda e assinar um livro de recebimento. Como minha correspondência já havia sido postada há uma semana e eu ainda não recebera o aviso, fui até a administração. Minha encomenda estava lá há 6 dias. A secretária me informou que para documentos em SEDEX 10 eles não colocam o bilhete, mas ligam para o morador avisando. Ela me ligou mas ninguém atendeu. Eu disse que o meu interfone estava com defeito há alguns dias, com a campainha disparando, por isto estava fora do gancho. Ela me disse que isto estava acontecendo com todos os interfones do meu bloco. ELA SABIA!!! E CONTINUAVA ME LIGANDO!!!
Me desculpem de novo, mas não dá pra não ficar irritado. TOLERÂNCIA ZERO!!!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Responsabilidade social

O prefeito de São Paulo, Giberto Kassab, acaba de aprovar projeto que exigirá de quem construir na cidade empreendimentos que gerem muito tráfego, como shopping-centers, igrejas e edifícios comerciais ou residenciais, investimentos no trânsito da região. Apesar de todas as ressalvas que faço ao prefeito, acho que dessa vez acertou em cheio. Isso sim é responsabilidade social, de verdade. Vai além de doar algumas migalhas ao Criança Esperança ou cortar a grama da praça em frente à empresa.
Acredito que uma empresa, sem prejuízo de seu objetivo maior que é dar lucro, precisa se entender como parte de uma comunidade a quem oferece bens ou serviços, mas de quem depende diretamente. E não estou falando só dos consumidores, mas de todas as pessoas e sistemas afetados pelo seu funcionamento. Toda empresa precisa ser responsável pelas conseqüências do seu trabalho.
Se o empreendimento vai piorar o trânsito da cidade, precisa se preocupar com isso e dar sua contribuição na solução. O mesmo vale para a empresa que embala os seu produto com materiais descartáveis, para a indústria automobilística que produz veículos poluidores, para o fabricante de cigarros que enche os leitos dos hospitais públicos de doentes graves. Não basta satisfazer a necessidade do consumidor, é preciso cuidar dos "efeitos adversos" que seus produtos causam à comunidade.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Os avanços da tecnologia

Abril de 1989, festa de aniversário em casa. Montei a playlist numa folha de caderno, separei os LPs (os que tinha em casa e os que precisei emprestar). Aparelho de som três-em-um para colocar tudo em ordem nas três fitas-cassete 90 minuto. 4,5 horas de trabalho de gravação. 4,5 horas de música ininterrupta, bastando virar ou trocar as fitas a cada 45 minutos (meu som não tinha auto-reverse). Sucesso total.
Abril de 2010, festa de aniversário na casa da minha irmã, que tem piscina e churrasqueira. Não montei a playlist, porque a quantidade de músicas disponíveis era imensa, mais fácil ir abrindo os muitos CDs um a um e ir copiando para o notebook. Depos é só ordenar e transferir para um pen-drive e ligar na porta USB do aparelho de som. Total de 152 músicas, mais de 8 horas - mesmo que a festa só dure 5. No primeiro teste o aparelho leu fora de ordem. No segundo, depois de apagar o pen-drive e copiar as músicas de novo, as últimas músicas sumiram, porque estava tudo na raiz e o aparelho só aceita 148 arquivos por pasta (de onde ele tirou esse número?). Então voltei o pen-drive para o notebook, separei as músicas em pastas menores e gravei de novo. Parece que funcionou, mas na dúvida gravei um CD. Dois dias trabalhando, nem me atrevo a contar as horas. Preciso dormir.
Dia da festa, som montado, CD a postos, músicas tocando na ordem. Até a 19, depois... parou. Parece que por alguma razão bizarra o aparelho só leu 19 arquivos. Esqueci o pen-drive em casa, então a solução é abrir o CD no mac-book da minha irmã, gravar no i-pod do meu sobrinho e conectar este (o i-pod, não o sobrinho) no aparelho de som. Nada feito, não tem cabo. Maldita Apple com seus conectores proprietários, porque se fosse um simples mini-USB eu usava o cabo da máquina fotográfica. Ainda resta a opção de gravar outro CD, mas descubro que no CD original só tem mesmo aqueles 19 arquivos. Talvez culpa do Nero, talvez de Morfeu ou de um outro nome clássico qualquer. E corre a festa com o que está disponível no porta-CDs do carro.
Moral: a tecnologia veio para resolver os problemas que não existiam antes dela.