quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Pico do Jaraguá

Ele é o ponto mais alto da cidade onde nasci e morei por 25 anos, e passo ao lado dele várias vezes por semana. Mas assim mesmo, nunca tinha subido até seu topo. Hoje acordei cedo e fui fazer um trekking no Pico do Jaraguá. O lugar é muito bonito, muito bem cuidado, com um centro de lazer com lago, play-ground e quadras na base e outro com mirantes e lanchonete no topo. De lá de cima, belíssima vista da capital paulista, além das serras da Cantareira, dos Cristais e até da minha querida Serra do Japi.

Trilha do Pai Zé

Subimos pela trilha do Pai Zé, considerada a mais difícil por ser bastante íngreme. Começa com um curto trecho de paralelepípedo, depois um longo percurso de terra por dentro da mata, arrematado por uma escadaria de madeira que desemboca na estrada principal, asfaltada. Interessante notar como na medida em que se sobe, o dossel da mata vai ficando cada vez mais baixo, enquanto o estrato arbustivo vai se adensando cada vez mais. A partir de certo ponto o estrato arbóreo desaparece, sobrando apenas os arbustos. No caminho tivemos a companhia de caxinguelês, macacos-prego, micos-de-tufo-branco e vários pássaros.

Caxinguelê (Sciurus aestuans). Ordem Rodentia. Família Sciuridae

Mas uma espécie de primatas predominava. Caraterística por fazer muito ruído, tanto através de seu próprio aparelho fonador como de anexos variados, afugentando o resto da fauna, também tem por hábito deixar por onde passa grande quantidade de dejetos. Principalmente os feitos de derivados de petróleo. Foi interessante notar um espécime jovem colocando pedaços de biscoito de chocolate sobre uma placa que dizia “não alimente os animais”. Me fez pensar porque cargas d’água colocaram no nome científico dessa espécie o epíteto “sábio”.

Macaco-prego (Cebus apella). Ordem Primates. Família Cebidae.
(Comendo pão oferecido pelo seu parente menos racional)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Meu Beagle

Malas prontas. Amanhã cedo estarei embarcando rumo à minha Meca particular. O lugar onde tudo começou, onde a mais fantástica e revolucionária teoria biológica foi germinada. Há 176 anos atracava no Arquipélago de Galápagos o navio HMS Beagle, e depois disso o mundo nunca mais foi o mesmo.

A partir de hoje esse blog se tornará um diário de viagem. Refletir sobre a Evolução e sobre todos seus desdobramentos, respirando o mesmo ar do mestre Charles será uma oportunidade única (aliás, única não, porque espero de coração voltar outras vezes) e aqui ficará registrada cada impressão, cada pensamento, além de muitas imagens desse lugar maravilhoso.

Espero contar com sua companhia.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mens sana in corpore sano

E que história é essa que nerd tem que ser fracote, ruim nos esportes e com mal preparo físico?

Muito antes do poeta romano Juvenal proferir a famosa frase do título, egípcios, chineses e indianos já praticavam exercícios para se preparar para as atividades do dia-a-dia, o trabalho ou a guerra, inclusive em disputas simuladas que depois deram origem aos esportes competitivos e inserindo esses exercícios em rituais, tamanha a sua importância.

Os gregos foram mais além: iam aos gymnasios devidamente despidos (gymnós = pelado) para treinar o corpo, como parte integrante do processo educacional. Já sabiam que um corpo saudável melhora a capacidade de aprendizado, fortalece o espírito, melhora a auto-estima, dá coragem e energia para enfrentar os problemas cotidianos. Além, é claro, do objetivo de criar corpos belos, já que a estética já era reconhecidamente parte importante da filosofia e da cultura.

Por sinal, foi por desprezo pela estética que a Idade Média européia dominada pelos princípios cristãos fez desaparecer a prática rotineira da ginástica, retomada logo que a Renascença floresceu, sendo Rousseau um de seus defensores, e daí foi um pulo até o desenvolvimento dos esportes organizados e do aperfeiçoamento de suas técnicas.

Hoje a ciência compreende muito bem a importância de um bom preparo físico e da prática constante de exercícios para melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças infecciosas, metabólicas ou degenerativas, assim como para otimizar a atividade intelectual, na medida em que equilibra a mente. Sem falar que nerd que se preze, quando escolhe um esporte ou tipo de atividade física, mergulha a fundo na sua história, filosofia, desenvolvimento, biofísica, tecnologia etc., porque conhecimento nunca é demais.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Cobrança inteligente

Dia desses ouvi falar sobre uma proposta do governo do Estado de São Paulo de acabar com a cobrança manual nos pedágios das rodovias estaduais e implantar o sistema "Sem Parar / Via Fácil" em 100% das cancelas. Se alguém não conhece, esse sistema faz o controle da passagem do carro através de um dispositivo (tag) colado no para-brisas que aciona um sensor na cabine do pedágio. A cobrança é feita através de cobrança bancária. Hoje o sistema é opcional e cobra taxas de instalação e manutenção; caso se torne obrigatório deveria se tornar gratuito. Sem entrar no mérito de quem lucraria com essa mudança, acho que ela é extremamente inteligente. Reduz o custo de manutenção do sistema ao dispensar pessoal de cobrança, diminui as filas nos dias e horários de pico e principalmente abre espaço para formas mais inteligentes de cobrar.

Hoje a definição da posição das praças de pedágio é feita por critérios um tanto subjetivos, e inevitavelmente causam injustiças, já que o valor cobrado jamais será proporcional à distância percorrida. Com um sistema eletrônico seria possível instalar - com baixo custo - vários pontos de verificação, de forma que o sistema calcularia exatamente quanto cada veículo transitou em cada rodovia fazendo uma cobrança mais exata, e até definir tarifas diferenciadas para períodos de maior ou menor fluxo.

Coisa semelhante foi divulgada recentemente para o fornecimento público de água, em que hidrômetros eletrônicos conectados à companhia de abastecimento permitiriam calcular quanto foi gasto a cada momento. Isso permitiria também a tarifação ajustada de acordo com os dias e horários de maior demanda.

Esses dois exemplos (e poderíamos citar muitos outros) demonstram como ainda desperdiçamos tempo e recursos em métodos ineficientes, ao invés de usar tecnologias já disponíveis e acessíveis como aliadas na otimização das relações do nosso dia-a-dia.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Arte corporal Nerd

Acabo de fazer mais uma tatuagem. Olhe bem pra ela e antes de continuar a ler o texto diga o que acha que ela representa.


Então, parece com o que? Uma rachadura? Um rio? Varizes, raios, fungos, o Venom? Pois eu digo que pode ser qualquer uma dessas coisas, ou muitas outras parecidas. Na verdade trata-se de um fractal, feito a partir desta figura original.

Em palavras simples, um fractal é uma figura geométrica que pode ser dividida em partes cada vez menores, indefinidamente, de modo que cada parte é uma réplica da figura toda. Uma forma de criar fractais é através de algoritmos matemáticos iterativos (no meu caso, pelo conjunto de Mandelbrot).

Mas o que me fascina nos fractais é justamente o fato de estarem presentes em várias objetos e fenômenos que encontramos no nosso dia-a-dia, como árvores, praias, raios e alienígenas amorfos simbiontes, e ao mesmo tempo poderem ser matematicamente modelados. Para mim, representam a fronteira entre o mundo real e as representações que conseguimos fazer dele através daquilo que chamamos de Ciência. Por isso decidi imprimir um deles na minha pele, para representar um dos aspectos mais importantes da minha vida, o amor pela Ciência e a crença de que ela é a maneira mais segura de adquirir conhecimento.

Coisa bizarra, isso de tatuagem científica? Eu digo que é coisa de quem busca dar significado a tudo o que faz. É claro que significado sobrenatural não serve, precisa ser buscado na razão, refletido, estudado. Longe de mim criticar ou recriminar quem tatua em si uma imagem qualquer, só porque acha bonita, afinal a estética também é fundamental na nossa vida. Ou quem escolhe figuras por algum motivo esotérico, pois cada um tem suas crenças. Há até quem fique no meio do caminho, tatuando símbolos místicos mas pouco se importando com o que representa, só pela beleza mesmo, que mal há?

Mas eu não sou assim. Escolhi outros caminhos, da Razão, da Ciência, do ceticismo, e por eles procuro seguir. Tem gente que acha esquisito, tem gente que acha tonto, tem muita gente que não entende. Dizem que é coisa de Nerd. Bom... é mesmo.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Brasil está dando certo

Minha faxineira me abandonou. Consegui outra, mas só ficou duas semanas. E a nova, obviamente, vai me sair mais caro. Enquanto isso tenho ouvido muitas empresas reclamando da dificuldade de conseguir funcionários, principalmente em funções mais braçais, insalubres e pior remuneradas. De tudo isso chego a uma conclusão: o Brasil está dando certo!

Me parece que vivemos hoje um movimento de franco crescimento econômico e social, aumento geral da riqueza e melhor distribuição de riqueza. Associado a um aumento nas ofertas de emprego, os proletários brazucas estão se dando o luxo de escolher onde trabalhar.

Mas e então, quem ocupará esses espaços? Seremos alvo de novas ondas de imigração, dessa vez de países mais pobres que nós? Xenofobia nunca foi marca do espírito brasileiro, mas e se os estrangeiros se tornarem um problema social, demandando serviços saúde, habitação, transporte, etc. que o Estado não consiga suprir?

Passamos muito tempo reclamando do governo que não provê bem-estar para a população, mas ao mesmo tempo nos acostumamos a gozar dos benefícios dessa carência de bem-estar. E veja que não estou falando de ricos contra pobres. Estou falando de gente de TODAS as classes sociais se utilizando de alguma forma dos serviços de pessoas das classes mais abaixo para executar trabalhos que ela não está disposta a fazer.

Em tempos de "politicamente correto" fica difícil e pode soar hipócrita dizer que não sou preconceituoso, mas nesse caso não sou mesmo. O que estou tentando fazer é uma análise sociológica que - mesmo superficial - nos faça pensar: estamos preparados para viver num país sem pobres?

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Feriado

Voltando das férias, chego todo contente e animado no trabalho. A cabeça ainda vagando pelas lembranças do mar e do sol, mas cheio de disposição para recomeçar. No portão da empresa me avisam: "Ah doutor, não tem ninguém aqui hoje, é feriado, aniversário da cidade". Não sabia, já que moro em outro município, decepção total. Mas a surpresa me fez refletir sobre essa coisa de feriados. Qual a razão de se excluir um dia (na verdade vários) do calendário produtivo?

Feriados existem e existiram em todas as culturas, já que cada uma quer manter vivos na memória seus principais eventos cívicos ou religiosos. E é para isso que eles existem: para que as pessoas possam sejam dispensadas dos seus afazeres diários e se dediquem a festejar ou comemorar de alguma forma um fato ou pessoa importante. Feriados religiosos deveriam ser dias de oração, feriados cívicos deveriam ser dia de festa, mas não é isso o que se vê.

Passeando pela cidade no dia que se comemora sua fundação, não vi desfile e fanfarra, não vi festa no parque com piscina de bolinhas e algodão-doce, não vi escolas e prédios públicos enfeitados. Só vi ruas vazias e lojas fechadas. As pessoas simplesmente ficaram em casa, ou esticaram o passeio de fim-de-semana, já que é segunda-feira. As crianças não deixaram de ir à escola para participar de atividades que as ensinasse sobre a história de seu município e de seus fundadores, acredito até que nem saibam alguma coisa sobre isso. Faltaram à escola para fazer... nada.

Então qual a razão da sociedade continuar desperdiçando seu tempo e capital em dias mortos e sem significado? Arrisco um palpite: deve ter muito a ver com uma cultura de trabalho, e da relação do homem com ele, totalmente equivocada. Se Marx disse que o trabalho é a essência do homem, o capitalismo prega que o trabalho é uma mercadoria que o homem vende ao seu empregador. Ainda que eu não seja socialista militante, a primeira definição me é mais simpática. Não foi, porém, a escolhida para dirigir nossas relações profissionais. Na nossa sociedade, trabalho e vida pessoal são coisas absolutamente distintas e inconfundíveis, e é por isso que estamos sempre tentando encolher o tempo de trabalho, porque enquanto trabalhamos não estamos vivendo. Mas é por isso também que nos estafamos quando precisamos trabalhar além do esperado, e exigimos receber remuneração diferencidade por isso. Tratamos como "invasão" e nos irritamos com um telefonema do trabalho durante as férias, não porque toma nosso tempo, mas simplesmente porque "agora não é hora e não quero pensar nisso".

O trabalho é, acima de tudo, nossa contribuição para a sociedade, a base onde se constrói essa grande simbiose chamada humanidade. Não deve e não pode ser dissociado que nenhum outro aspecto da nossa vida, porque no momento em que isso acontece, deixamos de fazer parte da coletividade. Se o capitalismo foi o responsável por criar essa visão mercantilista do trabalho, acredito que ele mesmo tenha a ferramenta para revertê-la: a tecnologia.

Os novos meios de comunicação e de conexão são o caminho para permitir que o homem seja produtivo mesmo enquanto descansa e se diverte, sem prejudicar um ou outro. Aí então poderemos aproveitar um feriado para comemorar nossa cultura coletiva, e não para simplesmente fugir do serviço.

quarta-feira, 9 de março de 2011

E vos dou a vida eterna

Dia desses a bomba de gasolina do meu carro quebrou. O mecânico tirou, jogou fora, instalou uma nova e o carro estava perfeito de novo. Qual a função da bomba de gasolina? Transportar o líquido do tanque para o motor. Não é, basicamente, a mesma coisa que faz nosso coração?

Fiquei aqui pensando, e se dispuséssemos de um estoque de “peças sobressalentes” do nosso corpo, ou algum método para construí-las? Poderíamos, a cada enfermidade, simplesmente trocar células, tecidos ou órgãos com problemas por outros novos e sair andando como o meu carro, belos e saudáveis. Ficção científica? Hoje sim, mas a tecnologia avança a passos largos. Órgãos artificiais, células tronco, cirurgias menos invasivas e cruentas, acho que é questão de tempo até alcançarmos estas possibilidades. E então, seremos imortais.

Claro, talvez a morte ainda nos pregue peças. Acidentes, assassinatos e doenças infecciosas podem levar alguns de nós, mas teremos vencido aquela que talvez seja a pior e mais nefasta de todas as doenças: a velhice. Falando assim, dou a impressão que envelhecer e morrer são coisas ruins. Bem, não são. A Morte é nossa amiga, é ela quem garante o equilíbrio populacional, além de ser o motor da evolução. Pode parecer belo e romântico viver para sempre, mas quais serão as conseqüências?

Para começar, superpopulação – a mãe de todos os desastres ecológicos. Para controlá-la, serão necessárias medidas drásticas de controle de natalidade. Acabo de ler no jornal que até a China está revendo sua política de filho único, frente ao preocupante envelhecimento da população. Nessa esteira, as relações familiares precisarão ser repensadas, já que a maternidade/paternidade perderá quase toda a importância na sociedade.

E quanto aos já combalidos sistemas previdenciários? Homens eternos não poderão jamais se aposentar, porque não haverá jovens que os sustentem. Todos terão que produzir, mas para isso as relações do homem com o trabalho precisaram ser revistas. Não haverá quem agüente passar a maior parte do tempo se dedicando exclusivamente à produção de capital, esperando os dias de descanso que nunca virão.

Nem me arrisco a pensar nos desdobramentos mais filosóficos deste cenário: nossa relação com a morte, a função das religiões, os conflitos de gerações. Deverá ser uma sociedade toda nova, diferente da atual nas suas mais profundas essências. Mas um desafio para o homo sapiens e sua fantástica capacidade de se adaptar.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Calendários

Você acha meio maluco que cada mês tenha um número diferente de dias? E porque só fevereiro foge da regra? Porque cada dia do calendário não corresponde sempre ao mesmo dia da semanal, isso não deixaria tudo mais fácil? E porque esses nomes estranhos para os meses? Pois é, esse nosso calendário é bem confuso mesmo, mas pra entender é preciso conhecer sua história.

Diz a lenda que tudo começou quando Rômulo, o fundador de Roma, criou um calendário com 10 meses, cada um com 30 ou 31 dias, totalizando 304 dias. Como a principal função do calendário era regular a agricultura, os 61 dias do inverno ficavam de fora, porque nas frias colinas romanas eles não tinham mesmo nada para fazer nessa época. Os 4 primeiros meses foram nomeados em homenagem a deuses latinos ou etruscos– Marte, Aprus, Maia e Juno e os outro simplesmente numerados de 5 a 10.

Depois veio o rei Numa Pompílio, que tinha uma affair com uma ninfa. Seguindo os seus conselhos e inspirado no calendário grego, ele resolveu usar os ciclos lunares, e aí começou a bagunça. Os meses tinham 29 ou 31 dias, e dois novos meses foram criados ao final, com nomes em homenagem aos deuses da passagem e recomeço – Jano – e da morte e purificação – Februs. O ano ficou com 355 dias, então a cada 2 anos havia um mês extra, o Mercedonius.

Mas o ano civil ainda não batia com o ano solar e com as estações do ano, e o ditador Júlio Cesar (que muita gente ainda chama erroneamente de imperador) estava incomodado com o fato da festa da primavera cair no meio no inverno. Para corrigir ele reformulou de novo o calendário. Primeiro acertou o erro acumulado, inserindo dois meses extras no final daquele ano. Com isso, os meses de Januaris e Februaris que eram os últimos, passaram a ser os primeiros do ano seguinte. Todos os meses passaram a ter 31 e 30 dias, de forma intercalada, exceto Februaris que continuou com 29, acrescido de um dia a cada 3 anos – nosso conhecido bissexto.

O Senado romano adorou as mudanças, tanto que resolveu homenagear o ditador dando o seu nome ao sétimo mês. Alguns anos depois o Imperador Augusto percebeu o erro de cálculo e definiu o ano bissexto a cada quatro anos, e para não ficar deselegante o Senado deu a ele o oitavo mês de presente. Augusto ficou um pouco melindrado porque o mês de Julio tinha 31 dias e o seu tinha 30, então resolveu tirar um dia de Februaris e colocar em Augustus, trocando o número de dias de todos os meses subsequentes. O ano estava praticamente no seu formato atual.

Até que veio a Igreja Católica e quis dar seu pitaco. O Papa Gregório XIII achou um erro no cálculo dos romanos de 3 dias a cada 400 anos. Fez então o seguinte ajuste: excluiu 10 dias (5 a 14 de outubro de 1582, que simplesmente não existem) para corrigir o erro acumulado, e estabeleceu que o anos centenários não múltiplos de 400 (terminados em 000, 100, 200, 300, 500, 600, 700 e 900) não seriam bissextos. A mudança foi ínfima, mas como ele era papa e dada a mania de grandeza da instituição que ele representava, o calendário passou a ser chamado de Gregoriano. De início pouca gente deu bola para ele, e passados mais de 350 anos ainda havia países que não tinham adotado a mudança – o último foi a China em 1949.

Como se pode ver, a estrutura do calendário foi toda remendada com o passar dos anos, com critérios políticos e religiosos misturados a erros de cálculo astronômico. Já está mais do que na hora de uma nova reforma, à luz da ciência, da lógica e do racionalismo. Estamos abertos a propostas.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Propostas para a Educação

Um político por aí tem usado como mote de suas campanhas uma proposta de Revolução na Educação. Então resolvi dar a minha contribuição para tão nobre empreita. Minhas propostas são:

1- Aumento da carga horária.
2- Aulas com formatos diversificados.
3- Rede educacional menos pulverizada.
4- Avaliação externa e padronizada.
5- Valorização do professor.

Como é muita coisa para um post só, vou começar hoje tratando do primeiro item.

Aumento da carga horária.

Lugar de criança é na escola, não à toa em casa ou vagando no shopping a tarde toda. Atividades extra-curriculares (línguas, esportes, música, etc.) são importantes, mas precisam ser integradas à educação formal. Então proponho período de 6 horas e 240 dias letivos.

A jornada diária será dividida em dois períodos: 4 horas pela manhã com aulas normais (o modelo de aula será tratado posteriormente) e 2 horas após o almoço — que será servido na própria escola — com atividades esportivas e culturais.
Ainda estou refletindo no melhor modelo para distribuir os dias letivos durante o ano. Agora estou pendendo para o formato de 48 semanas de 5 dias, ou seja, simplesmente reduzir as férias para um mês. Afinal, qual a utilidade de deixar a criança sem aula durante um quarto do ano? Descanso? Pois isso implica que o estudo é uma coisa chata e cansativa, e não é assim que deve ser.

A escola precisa ser o espaço principal de interação social do jovem, um lugar onde ele queira estar sempre. Os fins-de-semana e o mês de férias serão suficientes para manter as atividades familiares, afinal são só esses os períodos que os pais terão disponíveis, de qualquer modo. A parada anual também servirá para dar o merecido descanso aos profissionais do ensino, e para servir aos alunos como um momento de reflexão sobre o ano que passou e preparação para o próximo, uma pausa espiritual e filosófica que marque a mudança de ciclo.

Mas talvez seja interessante manter as atuais 40 semanas, em atenção à tradição nacional de férias longas, mas com 6 dias, sendo o sábado reservado a atividades especiais como festivais, seminários, torneios, feiras, passeios e viagens. Ou qualquer coisa no meio termo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estatísticas

Estatística é colocar a cabeça dentro do forno aceso e os pés num tanque de nitrogênio líquido e dizer que temperatura média está agradável.

Parece piada mas é assustadoramente real, a maioria das pessoas não faz a mínima idéia do que é estatística e como ela funciona. Vejamos um exemplo:

- Esse negócio de que fumar dá câncer é bobagem, minha vó fumou a vida inteira e não teve câncer, em compensação o tio do cunhado do meu vizinho nunca fumou e morreu de câncer.

Esse tipo de argumento é muito comum nas bocas esfumaçadas de fumantes inveterados, e costuma ser muito convincente para os mais ignorantes. Então qual é a falácia?

A coisa funciona assim: examinando a população, vamos encontrar fumantes saudáveis, fumantes doentes, não-fumantes saudáveis e não-fumantes doentes. Isso acontece porque em alguns casos o fumo não causa câncer, e em outros casos o câncer é causado por outros fatores. Mas a simples existência desses 4 grupos não quer dizer nada, o importante é a quantidade de cada um deles. Se a proporção de doentes entre os fumantes for bem maior do que a proporção de doentes entre os não-fumantes, podemos dizer que há um forte indício de que o tabagismo é causa da doença. Podemos também comparar a proporção de fumantes entre os doentes com a proporção de fumantes entre os saudáveis, é uma questão de metodologia que não vem ao caso aqui. O que vale é que a relação causa-efeito é comprovada pela estatística, e casos isolados não a invalidam.

Estatística é a arte de torturar os números até eles confessarem o que você quer.

O outro lado de não se entender as estatísticas é ser enganado por elas. Os políticos e os marqueteiros são mestres nessa arte (e os marqueteiros políticos são PhD). O governo afirma que o desemprego baixou, a oposição afirma que o desemprego subiu. Ambos apresentam números sólidos obtidos em pesquisas confiáveis. Quem está mentindo? NENHUM!!! Apenas usaram métodos diferentes, chegando assim a resultados díspares. Então concluímos que não se pode confiar em estatísticas? De forma nenhuma, elas são ferramentas importantíssimas para tomada de decisões e jamais podem ser ignoradas. O que precisam é ser entendidas. Não basta ler a conclusão, é preciso ter idéia de como os dados foram coletados e tratados.

A tempos atrás escrevi um texto sobre a frase bíblica: “A Verdade vos Libertará”. Então se você quer se ver livre de conclusões erradas, suas ou de outros, aprenda a entender os números que lhe são apresentados. Às vezes pode ser até divertido.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Pedro, Paulo e as abelhas.

- Ô Pedro, você viu minha cueca verde, aquela box?

- Aquela que você ganhou da Belinha?

- Melhor não falar da Belinha.

- Poxa, Paulo, achei que você já tinha superado essa história.

- Superei, mas não esqueci. Aliás, vai demorar pra eu esquecer que meu irmão gêmeo se fez passar por mim pra pegar minha namorada.

- Ah, ela nem era sua namorada.

- Mas poderia vir a ser.

- E tem mais, a gente já se passou um pelo outro tantas vezes, não sei porque a crise agora.

- Passamos um pelo outro de comum acordo.

- Nem sempre. Quantas vezes eu te tirei de fria fingindo ser você, e quantas vezes você fez a mesma coisa? E se você relaxar e pensar racionalmente, com a Belinha foi exatamente isso que eu fiz, afinal você é que tinha marcado encontro com ela e furou. Aí calhou de eu estar por perto e resolvi limpar sua barra. O azar foi que ela descobriu depois.

- É, pode ser. Melhor esquecer mesmo, isso é passado. Mas ainda quero saber da minha cueca.

- Você usou ontem, deve estar pra lavar.

- Não usei não, aliás faz bastante tempo que não uso.

- Hmm, então não sei, devo ter confundido.

- Confundido o que? Ei, pera aí, você usou minha cueca?

- Pode ser que eu tenha usado, mas achei que era você.

- Ah, não me venha com essa agora. Uma coisa é você fazer os outros pensarem que você sou eu, uma coisa é você fazer minha namorada...

- Quem?

- Tá, minha provável-futura-namorada pensar que você sou eu, uma coisa é você fazer a mamãe pensar que você sou eu...

- Haha, aquela foi engraçada, e ela que sempre diz que é a única pessoa no mundo que consegue diferenciar nós dois.

- Huahuahua, verdade, foi engraçado. Mas enfim, esperar que eu acredite que você me confunde com você mesmo é demais!

- Porque? Afinal, será que nós somos mesmo duas pessoas?

- Tá me zuando?

- Claro que não. Olha só, o que caracteriza um indivíduo, o que faz dele um ser único? É exatamente a forma única como o conjunto de genes da população se arranja nele. São tantos genes, em tantos loci cromossômicos, tantas combinações diferentes que fica quase impossível a mesma combinação acontecer duas vezes, ainda mais considerando as eventuais mutações, translocações, crossing-overs, etc. É justamente essa variedade que serve de material para a Seleção Natural, graças a ela pode existir evolução. Ora, se a natureza não admite que duas pessoas tenham o mesmo código genético, então o que são os gêmeos senão UMA SÓ PESSOA?

- É, tá me zuando.

- Não tô não. Pensa bem, em que momento surge um novo indivíduo? Esqueça os conceitos morais, religiosos, filosóficos ou outros que os valham e pense na biologia pura. Se o que caracteriza o indivíduo é o código genético, então ele começa a existir no momento em que aparece a primeira célula com um código genético único, o zigoto. Essa célula pode se dividir depois em centenas, milhões, bilhões de outras células, mas todas vão carregar a mesma combinação de genes, e isso dá a elas a propriedade de pertencerem ao mesmo indivíduo. E como a gente fica nessa história? Bom, um dia nós dois fomos um único zigoto, um único indivíduo – único porque era um só e único porque era diferente de todos os outros – que depois de dividiu como qualquer outro zigoto se divide. Aí por uma falha de processo a divisão foi longe demais e as duas partes se desgrudaram, mas já vimos que os processos de divisão celular não importam na identificação de um ser, o que vale é a informação que as células filhas carregam.

- Tá bom, vou entrar na sua brincadeira. Então o que você me fala da reprodução assexuada? Em uma colônia de bactérias ou um viveiro cheio de plantas propagadas por estaquia, cada bactéria e cada planta têm o mesmo código genético. Ou sua teoria só vale para animais, ou eu não sei o que esses conjuntos são.

- Superorganismos, como as abelhas de Tautz. Ou não, talvez meu argumento só funcione mesmo com espécies sexuadas. Mas ainda vale, porque é de nós que estamos falando, e nós somos sexuados - apesar de você estar meio devagar ultimamente.

- Quer fazer o favor de não tripudiar da minha má fase?

- Ok, continuando. O fato é que se eu coloco uma luva, a luva está em mim. Não importa se está na mão esquerda ou na direita, de qualquer jeito sou EU que estou vestindo. Ainda que somente as células de uma mão sejam protegidas com as respectivas moléculas de DNA dentro delas, a informação genética da outra mão e de cada uma de todas as outras partes do corpo estará enluvada. Analogamente, não faz diferença se o Pedro ou o Paulo vestem uma cueca, é o mesmo arranjo genético que está sendo beneficiado.

- Como você viaja! Era mais fácil ter pedido a cueca, eu emprestava na boa.

- A Belinha também?

- Não enche.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Analfabetos científicos

Século 21 a.C. Os babilônios já sabiam que a posição das estrelas em determinado horário varia de forma cíclica ao longo do ano, uma consequência do movimento de translação da terra. Resolvem então dividir a região equatorial do céu em 12 partes iguais, dar a cada uma o nome de um ser mitológico e chamar esse arranjo todo de Zodíaco. Determinam que a posição do sol no dia do nascimento de cada pessoa tem uma forte influência sobre sua personalidade e comportamento.

Século 2 a.C. O filósofo Hiparco descobre que esse ciclo anual não é constante. Na verdade há um outro ciclo, contrário ao primeiro, que faz com que a cada ano, no mesmo dia, a posição das estrelas em relação ao sol também varie. Calcula que esse ciclo é de aproximadamente 26.000 anos, portando a cada 2170 anos o sol “anda” uma faixa zodiacal para trás (hoje se sabe que o ciclo é de 25.770 anos). Esse fenômeno é consequência de um movimento da terra chamado PRECESSÃO DOS EQUINÓCIOS e há bastante informação sobre ele na Internet. Basta googlear.

Século 21 d.C. O astrônomo estadunidense Park Kundle resolve revelar ao mundo que os signos estão errados graças ao desconhecimento do movimento de precessão por parte dos babilônios.

Olhem que interessante, um fato que já é conhecido há mais de dois mil anos. Que até os atuais astrólogos e místicos conhecem, tanto que a partir dele criaram as “eras astrológicas”. Que qualquer um que conheça algum fundamento de astronomia sabe. Que constantemente vira tema de discussão entre astrólogos, astrônomos e seus simpatizantes, de repente ganha a mídia e vira assunto polêmico, revolucionário.

Parece ter alguma coisa errada nessa história? Tem sim, aliás duas. A primeira é o absoluto analfabetismo científico que assola a humanidade. Existem os analfabetos formais, que não sabem desenhar o próprio nome; os analfabetos funcionais que não conseguem interpretar ou produzir textos elementares; os analfabetos políticos de Brecht e os meus analfabetos científicos. São pessoas que não conhecem os fundamentos da ciência, como ela funciona, para que serve, quais seus métodos, princípios e limitações. Não sabem diferenciar o conhecimento gerado pela ciência daquele fruto de outras árvores, não entendem as peculiaridades de cada um. E o pior de tudo é que são a maioria esmagadora da população.

O segundo problema é a credibilidade dos meios de comunicação de massa para esses analfabetos. Os astrônomos de Minessota fizeram a declaração “bombástica” numa entrevista à revista Time, uma publicação não especializada em ciência, escrita por jornalistas e não por cientistas. Algo como as nossas Veja e Época. Parece que os jornalistas sofrem também de um alto grau de analfabetismo científico, ou então o tom estrondoso dado a um assunto já muito batido foi má fé mesmo, barulho para vender revista. Acontece que os analfabetos leitores têem esses meios como sua única fonte de informação, e transformam tudo que há neles em verdade absoluta. E agora a Internet está cheia de páginas dizendo que Kundle et al. fizeram uma grande descoberta.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O novo livro

Responda depressa, quando foi que surgiu a inovação tecnológica mais revolucionária da História? Difícil escolher uma data, mas acho que 1455 é um grande candidato. Não sabe o que aconteceu nesse ano? Foi quando Johannes Gutenberg concluiu seu primeiro livro impresso, o primeiro que a humanidade já vira. Bom, na verdade houve outros, mas o sistema de Gutenberg permitiu algo novo: a escala. Agora era possível fazer centenas de cópias de um mesmo texto, dando a milhares de pessoas a possibilidade de conhecê-lo a um custo razoável. Finalmente o conhecimento estava popularizado. E o mais incrível é que assim continuou por mais de 550 anos! Poucas invenções sobreviveram tanto tempo sem serem substituídas por algo mais moderno. É claro que os livros de hoje não são impressos em prensas de uva com tipos de chumbo fundido, mas a base é a mesma, o papel encadernado. Pelo menos até agora.

Há tempos vem se discutindo se o computador vai acabar com o livro, discussões de gente graúda, às vezes bem acaloradas - até Umberto Eco tem um texto excelente sobre o assunto que inicia na Biblioteca de Alexandria - em que o papel costuma ser defendido com argumentos românticos sobre impressões táteis, olfatórias e sentimentais. Eu mesmo sou um bibliófilo inveterado, compro mais livros do que consigo ler e sinto muita dor no coração quando tenho que me desfazer de algum. Isso tudo até é verdade, mas só quem já se acostumou a manipular livros físicos criou com o tempo uma relação emocional com eles. Se o livro for substituído por algo melhor as novas gerações não vão se habituar com ele. Só para ilustrar, podemos lembrar o que aconteceu com o disco de vinil, que hoje se contenta em ser objeto de colecionador e onda cult. Ninguém com menos de 25 anos sente saudade deles.

Outro argumento é a praticidade, mobilidade, conforto físico e visual. Outras verdades, mas é justamente aí que estão os desafios que deverão ser transpostos pela tecnologia que se pretender substituta do papel encadernado.

2010 será o ano dos tablets - todos os fabricantes de hardware querem desenvolver o seu e os programadores estão ávidos para lançarem aplicativos. Antes deles apareceram os e-books para web, os e-readers, a e-ink (que será ótima quando for colorida). Parece que estamos no caminho certo, as tecnologias estão convergindo, se aprimorando, reduzindo custo.

Em breve encontraremos um formato com a mesma mobilidade e conforto do livro de papel, então o próximo passo deverá ser a ampliação da oferta de títulos em formato eletrônico. Textos novos e também aqueles contidos nos velhos, surrados e empoeirados blocos de papel esperando para serem transcritos para o novo meio. Só que agora não mais pelos quase tão velhos monges copistas medievais, desempregados por Gutenberg.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Meu novo hobby

Coisa de nerd ficar arrumando hobby né? Pois durante o feriado de Ano Novo descobri uma nova diversão: a ornitologia fotográfica. Na verdade eu já vinha pensando em lidar com isso há algum tempo e tinha até alguns livros sobre o assunto guardados na estantes. Como o lugar tinha pássaros lindos e as fotos ficaram ótimas, resolvi fazer a identificação. Como obra de principiante, aí vão algumas espécies bastante comuns da região Sudeste.


Socó-dorminhoco (Nycticorax nycticorax). Ordem Ciconiformes. Família Ardeidae

Lavadeira-mascarada ou Lavadeira-de-nossa-senhora (Fluvicola nengeta). Ordem Passeriforme. Subordem Tyranni [=Suboscines]. Familia Tyrannidae. Subfamilia Tyranninae.

Coruja-buraqueira ou coruja-do-campo (Speotyto cunicularia). Ordem Strigiformes. Família Strigidae.


Canário-da-terra (Sicalis flaveola). Ordem Passeriformes. Subordem Passari [=Oscines]. Família Fringillidae. Subfamília Emberizinae. Tribo Thraupini.

Mais fotos aqui.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Resoluções de ano novo

Talvez eu seja óbvio, mas a primeira resolução será escrever com frequência rigorosa neste blog (Acho que todo mundo que tem um blog dormente diz isso no começo do ano).
Então vamos começar.
Resolvi esse ano ser um usuário da tecnologia. "Como assim?", você me pergunta, "Você se autointitula nerd e agora vem me dizer que não usava tecnologia?" Não é isso, eu uso sim, e bastante. Me considero até um conhecedor avançado, mas cheguei à conclusão que não uso de forma efetiva. E mais, que pouca gente usa.
Vamos do começo: o que é tecnologia? É qualquer ferramenta que permite executar tarefas com menos esforço, menos tempo, menos custo ou menos perdas do que se fosse executada sem ela. E você percebe o quanto você usa seus gadgets para firulas, sem objetivo prático. Pois bem, é por isso que agora vou usar a eletrônica, a informática, as telecomunicações para o fim a que se destinam - aumentar a eficiência das coisas que faço.
Mas agora vem a parte mais divertida da história, o que é eficiêcia? É uma relação entre o volume de recursos gasto numa tarefa (tempo, dinheiro, mão-de-obra, etc) e o volume de resultados obtidos por ela. Então, a tecnologia serve para conseguir mais resultados com menos recursos, certo? Mais ou menos...
Pra começar, uma tecnologia pode ser hábil em economizar um determinado recurso e ao mesmo tempo gastar mais de outro. Por exemplo, pode ser mais rápido mandar um SMS para sua vizinha, mas com certeza é mais caro do que uma bilhete deixado debaixo da porta. Então é preciso escolher que recurso se quer economizar. Eu já decidi: o tempo. Quero usar a tecnologia para ganhar tempo.
Outra questão é que a tecnologia melhora a relação entre recurso e resultado, mas isso pode ser visto de duas formas: Mais resultado com os mesmos recursos ou menos recursos para o mesmo resultado. Ou então um pouco de cada, num continuum entre os extremos. Pra o meu recurso-chave, o tempo, geralmente a regra - ditada por nerds e executivos - é usar a tecnologia para fazer mais coisas no exíguo tempo disponível. Pois eu não quero isso, quero simplesmente cumprir minhas obrigações em menos tempo, e com isso vai fazer sobrar tempo. Esse tempo extra será usado para as coisas que fazem a vida valer a pena: viajar, estudar, namorar, ler, filosofar, andar de moto, de cavalo, de bicicleta, cantar e tocar. Enfim, seguir o conselho de De Masi.
Essa é a resolução de ano novo, espero que não morra antes do carnaval. Assim como este blog.
Feliz 2011 para todos!