Responda depressa, quando foi que surgiu a inovação tecnológica mais revolucionária da História? Difícil escolher uma data, mas acho que 1455 é um grande candidato. Não sabe o que aconteceu nesse ano? Foi quando Johannes Gutenberg concluiu seu primeiro livro impresso, o primeiro que a humanidade já vira. Bom, na verdade houve outros, mas o sistema de Gutenberg permitiu algo novo: a escala. Agora era possível fazer centenas de cópias de um mesmo texto, dando a milhares de pessoas a possibilidade de conhecê-lo a um custo razoável. Finalmente o conhecimento estava popularizado. E o mais incrível é que assim continuou por mais de 550 anos! Poucas invenções sobreviveram tanto tempo sem serem substituídas por algo mais moderno. É claro que os livros de hoje não são impressos em prensas de uva com tipos de chumbo fundido, mas a base é a mesma, o papel encadernado. Pelo menos até agora.
Há tempos vem se discutindo se o computador vai acabar com o livro, discussões de gente graúda, às vezes bem acaloradas - até Umberto Eco tem um texto excelente sobre o assunto que inicia na Biblioteca de Alexandria - em que o papel costuma ser defendido com argumentos românticos sobre impressões táteis, olfatórias e sentimentais. Eu mesmo sou um bibliófilo inveterado, compro mais livros do que consigo ler e sinto muita dor no coração quando tenho que me desfazer de algum. Isso tudo até é verdade, mas só quem já se acostumou a manipular livros físicos criou com o tempo uma relação emocional com eles. Se o livro for substituído por algo melhor as novas gerações não vão se habituar com ele. Só para ilustrar, podemos lembrar o que aconteceu com o disco de vinil, que hoje se contenta em ser objeto de colecionador e onda cult. Ninguém com menos de 25 anos sente saudade deles.
Outro argumento é a praticidade, mobilidade, conforto físico e visual. Outras verdades, mas é justamente aí que estão os desafios que deverão ser transpostos pela tecnologia que se pretender substituta do papel encadernado.
2010 será o ano dos tablets - todos os fabricantes de hardware querem desenvolver o seu e os programadores estão ávidos para lançarem aplicativos. Antes deles apareceram os e-books para web, os e-readers, a e-ink (que será ótima quando for colorida). Parece que estamos no caminho certo, as tecnologias estão convergindo, se aprimorando, reduzindo custo.
Em breve encontraremos um formato com a mesma mobilidade e conforto do livro de papel, então o próximo passo deverá ser a ampliação da oferta de títulos em formato eletrônico. Textos novos e também aqueles contidos nos velhos, surrados e empoeirados blocos de papel esperando para serem transcritos para o novo meio. Só que agora não mais pelos quase tão velhos monges copistas medievais, desempregados por Gutenberg.
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