Estatística é colocar a cabeça dentro do forno aceso e os pés num tanque de nitrogênio líquido e dizer que temperatura média está agradável.
Parece piada mas é assustadoramente real, a maioria das pessoas não faz a mínima idéia do que é estatística e como ela funciona. Vejamos um exemplo:
- Esse negócio de que fumar dá câncer é bobagem, minha vó fumou a vida inteira e não teve câncer, em compensação o tio do cunhado do meu vizinho nunca fumou e morreu de câncer.
Esse tipo de argumento é muito comum nas bocas esfumaçadas de fumantes inveterados, e costuma ser muito convincente para os mais ignorantes. Então qual é a falácia?
A coisa funciona assim: examinando a população, vamos encontrar fumantes saudáveis, fumantes doentes, não-fumantes saudáveis e não-fumantes doentes. Isso acontece porque em alguns casos o fumo não causa câncer, e em outros casos o câncer é causado por outros fatores. Mas a simples existência desses 4 grupos não quer dizer nada, o importante é a quantidade de cada um deles. Se a proporção de doentes entre os fumantes for bem maior do que a proporção de doentes entre os não-fumantes, podemos dizer que há um forte indício de que o tabagismo é causa da doença. Podemos também comparar a proporção de fumantes entre os doentes com a proporção de fumantes entre os saudáveis, é uma questão de metodologia que não vem ao caso aqui. O que vale é que a relação causa-efeito é comprovada pela estatística, e casos isolados não a invalidam.
Estatística é a arte de torturar os números até eles confessarem o que você quer.
O outro lado de não se entender as estatísticas é ser enganado por elas. Os políticos e os marqueteiros são mestres nessa arte (e os marqueteiros políticos são PhD). O governo afirma que o desemprego baixou, a oposição afirma que o desemprego subiu. Ambos apresentam números sólidos obtidos em pesquisas confiáveis. Quem está mentindo? NENHUM!!! Apenas usaram métodos diferentes, chegando assim a resultados díspares. Então concluímos que não se pode confiar em estatísticas? De forma nenhuma, elas são ferramentas importantíssimas para tomada de decisões e jamais podem ser ignoradas. O que precisam é ser entendidas. Não basta ler a conclusão, é preciso ter idéia de como os dados foram coletados e tratados.
A tempos atrás escrevi um texto sobre a frase bíblica: “A Verdade vos Libertará”. Então se você quer se ver livre de conclusões erradas, suas ou de outros, aprenda a entender os números que lhe são apresentados. Às vezes pode ser até divertido.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
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Complementando, entre os não fumantes temos os fumantes passivos, hoje sabidamente com risco igual ao do fumante.
ResponderExcluirCom relação a estatística de política, é muito comum comparar o mesmo resultado com tempos e lugares diferentes, por isso a notícia fica antagônica. Acho que mais do que ler os números é preciso saber o que está sendo analisado e com o que deveria ser comparado
Voltando ao seu exemplo das temperaturas, sabemos que os dois extremos são prejudiciais, causando dolo. É importante analisar os números ainda a luz do conhecimento técnico para saber se são viáveis. Já vi muito trabalho que tira números que não são compatíveis com nada visto antes na literatura.
gostei Douglas......Estou esperando os próximos.
ResponderExcluirBjs, Dri