sábado, 3 de outubro de 2009

Da costela de Eva

Dia desses recebi por e-mail a seguinte piada:
O que disse Deus depois de criar o homem? Tenho que ser capaz de fazer coisa melhor.
E o que disse Deus depois de criar a mulher? A prática traz a perfeição.

Variações da anedota mais antiga, onde Deus fez primeiro o rascunho e depois a obra prima. Adorei e concordo quase totalmente. A mim não resta dúvida de que as mulheres são superiores aos homens em qualquer quesito: mais belas, mais sábias, mais eficientes, mais requintadas, mais complexas.
A única falha no argumento humorístico é que a fábula bíblica não coaduna com a observação científica. Na verdade o homem - ou para ser mais exato, o macho - deriva da fêmea, e não o contrário. No início de nossa vida fetal, somos todos anatomicamente femininos. Posteriormente, naqueles geneticamente marcados pelo escudo de marte, uma descarga de testosterona transforma os órgãos femininos em masculinos. E como a embriogênese recria a filogênese, espera-se que os seres primitivos sejam todos fêmeas. E assim é.
A história de vida no planeta se iniciou com os organismos assexuados. Neles um indivíduo recolhe material do ambiente para construir outro indivíduo semelhante, e a isso se dá o nome de reprodução. Eras depois, com o objetivo de aumentar a variabilidade genética, o que traria grande vantagem evolutiva, surgiram os organismos sexuados hermafroditas, que dispunham de duas estruturas: uma, dita feminina, fazia exatamente o que já era feito pelos seus ancestrais; outra, masculina, tinha a única função de expelir algum meio que carregasse o código genético para ser usado pela parte feminina de outro indivíduo na construção do novo ser. Mas repare que as denominações de masculino e feminino foram dadas muito tempo depois, por uma espécie que se arvorou o direito de decidir que nome teriam as coisas. Numa análise fria, o que a parte masculina faz não é de fato reprodução. Ela não participa da construção de outro indivíduo, somente fornece parte da informação necessária.
O que dizer então da geração seguinte, onde as funções de “macho” e “fêmea” passaram a ser desempenhadas por sujeitos distintos? O que ocorreu aqui foi que Mãe Natureza achou por bem criar um indivíduo incapaz de se reproduzir; um ser vivo pela metade – já que a reprodução é exatamente o que define a vida. Dizemos ter um aparelho reprodutor masculino, porque assim foi dito há séculos, quando a ciência era feita somente por machos, ou porque não encontramos nomenclatura melhor para nossos penduricalhos. Mas na verdade não temos órgão reprodutor nenhum, apenas mecanismos que expelem DNA. É da fêmea o papel de gerar, de criar, de construir.
É claro que com o tempo a evolução – e mais tarde a cultura - encontraram para nós funções mais úteis, mas que nada dizem sobre nossa origem.
Não somos rascunhos que foram posteriormente melhorados. Elas já são a obra pronta, completa e original, nós somos somente cópias, e quando fomos tirados o tonner da máquina estava acabando.

Nenhum comentário:

Postar um comentário