sábado, 8 de agosto de 2009

No princípio era o verbo...

... e o substantivo e o adjetivo e a palavra escrita era a principal forma de comunicação entre pessoas distantes. Mas a carta não só aproximava as pessoas, também as fazia exercitar a arte de escrever. Como naquela era distante a literatura era o entretenimento maior, estavam montadas as duas condições para que as habilidades de escrita se desenvolvessem: muita leitura e muito exercício. Mas veio a tecnologia, sempre ela, o telefone empurrou a carta para a aposentadoria e o mesmo a televisão fez com o livro. As pessoas foram desaprendendo a escrever.
E então a tecnologia chegou de novo, mas dessa vez algo diferente aconteceu. A carta ressuscitou como e-mail e a informação escrita reencarnou na forma de websites. As letras estavam salvas, a erudição estava de volta, os Nerds venceram.
Assim deveria ser, mas assim não foi. Alguma coisa desandou no meio do caminho. Alguém pode dizer que foi o efeito borboleta, mas nós Nerds sabemos que ele não funciona como no cinema, fazendo as coisas darem sempre errado, ele deveria ser aleatório. Mas parece que quando se trata do nível de cultura da população, não há aleatoriedade, ele sempre dá um jeito de baixar.
Talvez tenha sido a velocidade. E-mails, chats, mensageiros, sites de relacionamento, são todos muito rápidos. A informação vai e volta numa efeméride, e pede uma resposta tão instantânea que não queremos perder tempo elaborando frases complexas, procurando palavras elegantes ou criando textos solidamente argumentados.
No inicio vieram as abreviações. Algumas até se disfarçaram de jargão, uma forma dos jovens se identificarem como grupo e se diferenciarem dos retrógrados membros da geração anterior. Mas a motivação real não é outra: preguiça. A prova disso é que junto com a economia nas letras veio a economia de palavras e de frases.
Ah, mas qual o problema em escrever de forma econômica? Que mal há em ser conciso e não tão elaborado? Problema nenhum, desde que se saiba fazer essas coisas quando é necessário. Problema grande se a comunicação é sempre curta e simplória, se isso passa a ser mais do que rotina, mas a única forma de se expressar. Porque quem não sabe elaborar textos não sabe elaborar pensamentos. Raciocínio e linguagem andam sempre juntos, crescem juntos e caem no abismo de mão dadas. E se o hábito de ler – ou pelo menos de ler alguma coisa minimamente bem escrita – também vai se esvaindo, pouco resta para hipertrofiar a musculatura mental.
Não, nem tudo pode estar perdido. Somos Nerds e precisamos achar uma saída. E ela está bem diante dos seus olhos... literalmente. Você que está aí de frente para o computador, recupere o tempo perdido. Mande um e-mail para um amigo, ou mais do que isso, escreva uma verdadeira carta, exponha idéias, desenvolva argumentos. Se precisar de informação para embasar seus pensamentos, navegue por bons sites. Use a tecnologia como o que ela realmente é: uma ferramenta para facilitar sua vida, não uma muleta virtual que parece deixar tudo mais simples, mas ao final encolhe faz sua cabeça encolher mais e mais e mais e... sumiu!

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