Há quem achará estranho um artigo meu iniciando com uma citação bíblica. Antes que me perguntem, minhas convicções sobre religião NÃO mudaram. Acontece que essa frase exprime de forma fantástica um tema que já foi tratado por muitos filósofos: a liberdade e o conhecimento são grandezas diretamente proporcionais. Quanto mais informação, quanto mais cultura o sujeito assimila, maior e mais intensa será sua capacidade de avaliar, de escolher, de decidir. Enfim, mais liberdade ele terá.
O que me levou a essa reflexão foi uma notícia veiculada nos últimos dias, de uma professora que foi flagrada e filmada improvisando passos sensuais no palco de uma festa de funk. O vídeo vazou pela internet e a professora foi demitida. Assisti a notícia num desses programas jornalísticos-sensacionalistas de fim de tarde na TV, onde a própria protagonista era entrevistada. Os comentários dos entrevistadores e do público oscilavam entre a responsabilidade de um educador em manter uma postura exemplar e a liberdade de um profissional em fazer o que lhe der na telha quando fora do ambiente de trabalho. Quero tratar da relação do homem com o trabalho – tema que muito me interessa – mas em outra ocasião. Aqui o que importa são dois conceitos que parecem estar sendo tratados de forma bastante distorcida na nossa sociedade.
O primeiro é a liberdade. Ora, há quem diga que ela não existe de fato, que nossas escolhas são o produto inexorável do meio e dos fatos passados. Pode ser exagero, mas uma coisa é certa: ela jamais é absoluta. Estamos sempre submissos a algo ou alguém, a regras, a hierarquias, a códigos morais, até às nossas próprias limitações, medos, dúvidas e dilemas. Mas acima de tudo, a liberdade de praticar um ato está diretamente ligada às consequências dele. Não é possível querer ser livre para exercer qualquer direito sem tomar em conta a responsabilidade que virá atrelada a ele, inclusive no que toca ao reflexo de nossos atos sobre as outras pessoas. Enquanto formos seres gregários, será impossível dizer que “ninguém tem nada a ver com minha vida”, porque vivemos num sistema onde nossas ações afetam todo o nosso entorno. A professora e todos que a defenderam parecem não ter alcançado esta idéia.
O outro conceito que merece reflexão é o papel da educação na sociedade. Me parece que o dever de educar foi todo despejado sobre a escola, e tudo que está fora dela é naturalmente isento de responsabilidade. Principalmente os meios de comunicação. Quando assisti os apresentadores do programa defendendo a atitude da professora, dizendo que ela tem sim o direito de fazer o que quiser da sua vida pessoal e continuar sendo uma excelente profissional, tive a clara visão de que a imprensa tem como único compromisso o entretenimento. Dizem aquilo que o público quer ouvir, para garantir o lucro dos anunciantes. O problema é que a TV se torna o elo que fecha um círculo mais do que vicioso, um círculo pernicioso: a educação formal, tão ruim, ao mesmo tempo em que não ensina, não consegue mostrar as vantagens de se aprender; o povo passa a achar que a ignorância e a mediocridade são coisas boas e desejáveis; a TV, na ânsia de agradar a esse povo, exibe programas inférteis e que estimulam a falta de cultura e bom gosto; com uma programação tão atrativa a TV toma o lugar da escola como principal fonte de informação, ou pior do que isso, torna-se referência para os próprios educadores, e a escola piora ainda mais.
E aqui voltamos ao inicio deste texto. Enquanto a educação não for tomada como prioridade, enquanto conhecimento e cultura não se tornarem valores apreciados, jamais seremos minimamente livres para construir uma sociedade justa onde todos ganhem.
O que me levou a essa reflexão foi uma notícia veiculada nos últimos dias, de uma professora que foi flagrada e filmada improvisando passos sensuais no palco de uma festa de funk. O vídeo vazou pela internet e a professora foi demitida. Assisti a notícia num desses programas jornalísticos-sensacionalistas de fim de tarde na TV, onde a própria protagonista era entrevistada. Os comentários dos entrevistadores e do público oscilavam entre a responsabilidade de um educador em manter uma postura exemplar e a liberdade de um profissional em fazer o que lhe der na telha quando fora do ambiente de trabalho. Quero tratar da relação do homem com o trabalho – tema que muito me interessa – mas em outra ocasião. Aqui o que importa são dois conceitos que parecem estar sendo tratados de forma bastante distorcida na nossa sociedade.
O primeiro é a liberdade. Ora, há quem diga que ela não existe de fato, que nossas escolhas são o produto inexorável do meio e dos fatos passados. Pode ser exagero, mas uma coisa é certa: ela jamais é absoluta. Estamos sempre submissos a algo ou alguém, a regras, a hierarquias, a códigos morais, até às nossas próprias limitações, medos, dúvidas e dilemas. Mas acima de tudo, a liberdade de praticar um ato está diretamente ligada às consequências dele. Não é possível querer ser livre para exercer qualquer direito sem tomar em conta a responsabilidade que virá atrelada a ele, inclusive no que toca ao reflexo de nossos atos sobre as outras pessoas. Enquanto formos seres gregários, será impossível dizer que “ninguém tem nada a ver com minha vida”, porque vivemos num sistema onde nossas ações afetam todo o nosso entorno. A professora e todos que a defenderam parecem não ter alcançado esta idéia.
O outro conceito que merece reflexão é o papel da educação na sociedade. Me parece que o dever de educar foi todo despejado sobre a escola, e tudo que está fora dela é naturalmente isento de responsabilidade. Principalmente os meios de comunicação. Quando assisti os apresentadores do programa defendendo a atitude da professora, dizendo que ela tem sim o direito de fazer o que quiser da sua vida pessoal e continuar sendo uma excelente profissional, tive a clara visão de que a imprensa tem como único compromisso o entretenimento. Dizem aquilo que o público quer ouvir, para garantir o lucro dos anunciantes. O problema é que a TV se torna o elo que fecha um círculo mais do que vicioso, um círculo pernicioso: a educação formal, tão ruim, ao mesmo tempo em que não ensina, não consegue mostrar as vantagens de se aprender; o povo passa a achar que a ignorância e a mediocridade são coisas boas e desejáveis; a TV, na ânsia de agradar a esse povo, exibe programas inférteis e que estimulam a falta de cultura e bom gosto; com uma programação tão atrativa a TV toma o lugar da escola como principal fonte de informação, ou pior do que isso, torna-se referência para os próprios educadores, e a escola piora ainda mais.
E aqui voltamos ao inicio deste texto. Enquanto a educação não for tomada como prioridade, enquanto conhecimento e cultura não se tornarem valores apreciados, jamais seremos minimamente livres para construir uma sociedade justa onde todos ganhem.
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