Atendendo a centenas de pedidos, leia agora mais um capítulo da trama que está abalando os nervos de todos!
Chegou em casa à noite, o marido já dormindo. Deitou-se ao seu lado e adormeceu imediatamente, com medo de que precisasse pensar no que acabara de acontecer. No dia seguinte acordou bem cedo, preparou o café e saiu depressa. Se sentia estranha. Tinha sido infiel e traído seu marido, pior ainda, traído todos os princípios que sempre defendera com tanto entusiasmo. Mas estranhamente não sentia nem uma gota de arrependimento. Ao contrário, ansiava pela próxima oportunidade. O clima no escritório estava tenso, como esperava. Os mais conservadores – ou talvez mais hipócritas – a olhavam com reprovação, outros lhe dirigiam risinhos, as amigas mais íntimas correram a saber como estava se sentindo, mas querendo de fato saber detalhes da tarde de amor. Até que, como era inevitável, cruzou com seu jovem amante. Jamais poderia imaginar que teria aquela reação, mas arrastou-o até um canto deserto da copa e o beijou. Marcaram de sair na hora do almoço.
Depois de algumas semanas de encontros diários nos intervalos ou no final do expediente, o rapaz deu sinais de que não estava mais tão empolgado. Talvez por medo de aprofundar uma relação com uma mulher casada, ou simplesmente porque perdera o encanto, como é comum à juventude. Acabaram não se vendo mais. Em poucos dias, porém, já havia outra vítima sendo caçada, depois outra, e outra. Depois começou a freqüentar bares no final do dia, e terminava sempre num quarto de motel.
No início o marido se sentiu feliz pela mulher estar seguindo a vida apesar de sua doença, por ela estar se sentindo feliz novamente. Mas em pouco tempo começou a desconfiar da causa de tanta alegria. Até que uma noite ela se descuidou demais. Chegou em casa muito tarde, e suas roupas exalavam um cheiro que não era dela. Ele sentiu um ódio profundo queimando suas vísceras, mas se virou para o outro lado e preferiu deixar a discussão para o outro dia. Mas passou a noite toda remoendo, buscando explicações, e pela manhã tinha chegado à conclusão de que não poderia condená-la. A culpa era dele. Tantos meses sem provê-la, e ainda obrigando-a a cuidar dele a todo instante, era natural que ela se sentisse carente e num momento de fraqueza fosse buscar apoio em outro ombros. Contava que sararia logo, e então tudo voltaria ao normal. Mas não voltou.
O tempo passou, ela continuava naquela vida de devassidão, ele continuava fazendo de conta que não via. Sentia-se corroído por dentro, mas fazia um esforço sobre-humano para não demonstrar. Precisava canalizar todas as suas forças para uma recuperação rápida de suas forças, pois só isso poderia salvar seu casamento. Mas é claro que ela não acreditava na sua encenação. Os sinais eram óbvios, ele já não a beijava, evitava até olhá-la de frente. As conversas eram monossilábicas e ele não se dirigia a ela nem para reclamar das constantes saídas e dos horários de chegada, cada vez mais avançados. Ela começou a sentir raiva. Porque ele não brigava, porque não a recriminava, porque não lutava por ela? Estaria satisfeito com aquela situação? Ou quem sabe não se importava? Será que não a amava mais? Já que ele parecia não dar a mínima, se entregou de vez e com mais fervor à luxúria. Agora não era só desejo de se satisfazer, mas também de machucar mais ainda o homem que a ignorava, numa tentativa de reanimá-lo à força. Mas não estava dando certo, e a situação estava ficando insustentável.
Foi quando uma pequena semente de idéia começou a brotar em sua mente. Uma semente de erva daninha, dessas que começam a crescer sorrateiras, por entre as flores, e quando se dá conta já tomou todo o jardim. Se estava se sentindo bem naquela vida, se o marido não se incomodava, porque não assumir logo. Mas não podia sustentar uma mentira para sempre, em breve seus filhos começariam a desconfiar. Era preciso acabar logo com a farsa. Mas um divórcio a essa altura seria quase um crime. Abandonar um homem doente, que dependia dela para quase tudo, que mal podia se alimentar sozinho, seria maldade demais. Era preciso esperar ele melhorar. Mas já se passavam quase seis meses, sem nenhum sinal de melhora, as mesmas dores, a mesma tosse. A mesma impotência. E o pior, sem que se chegasse a um diagnóstico. E se esse quadro se prolongasse indefinidamente? Claro, havia outra possibilidade, se a doença piorasse de vez. Ele já estava bem magro, a pele desbotada, os olhos sem vida. Talvez a doença não evoluísse, mas o corpo fosse definhando aos poucos, até não poder mais sustentar a vida. Ela se assustou, estava desejando que ele morresse? Claro que não! Ou talvez sim. Eram as duas alternativas, a cura ou a morte, ambas fora de seu alcance. Bem, na verdade, não podia curá-lo, mas podia fazer alguma coisa quanto à segunda opção. Como? Além de desejar que ele morresse, estava cogitando facilitar o processo? Que terrível! Pensamento abominável! Mas a erva abriu um pouco mais de espaço. Seria assim tão horrível abreviar o sofrimento de um homem que não parece apresentar nenhum sinal de que voltará a ter uma vida normal, e que ainda por cima carrega para o fundo do poço a vida de outras pessoas? Ou pelo menos mais uma pessoa. Mereceria ela viver pelo resto de sua vida ao lado de um semi-homem, precisando se esgueirar pelas ruas, cultivando sucessivas mentiras, para satisfazer seus desejos? Não era justo. E só havia uma saída. Ele precisava morrer.
Não perca nas próximas semanas o desfecho desta emocionante história...
sábado, 5 de setembro de 2009
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