sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Calendários

Você acha meio maluco que cada mês tenha um número diferente de dias? E porque só fevereiro foge da regra? Porque cada dia do calendário não corresponde sempre ao mesmo dia da semanal, isso não deixaria tudo mais fácil? E porque esses nomes estranhos para os meses? Pois é, esse nosso calendário é bem confuso mesmo, mas pra entender é preciso conhecer sua história.

Diz a lenda que tudo começou quando Rômulo, o fundador de Roma, criou um calendário com 10 meses, cada um com 30 ou 31 dias, totalizando 304 dias. Como a principal função do calendário era regular a agricultura, os 61 dias do inverno ficavam de fora, porque nas frias colinas romanas eles não tinham mesmo nada para fazer nessa época. Os 4 primeiros meses foram nomeados em homenagem a deuses latinos ou etruscos– Marte, Aprus, Maia e Juno e os outro simplesmente numerados de 5 a 10.

Depois veio o rei Numa Pompílio, que tinha uma affair com uma ninfa. Seguindo os seus conselhos e inspirado no calendário grego, ele resolveu usar os ciclos lunares, e aí começou a bagunça. Os meses tinham 29 ou 31 dias, e dois novos meses foram criados ao final, com nomes em homenagem aos deuses da passagem e recomeço – Jano – e da morte e purificação – Februs. O ano ficou com 355 dias, então a cada 2 anos havia um mês extra, o Mercedonius.

Mas o ano civil ainda não batia com o ano solar e com as estações do ano, e o ditador Júlio Cesar (que muita gente ainda chama erroneamente de imperador) estava incomodado com o fato da festa da primavera cair no meio no inverno. Para corrigir ele reformulou de novo o calendário. Primeiro acertou o erro acumulado, inserindo dois meses extras no final daquele ano. Com isso, os meses de Januaris e Februaris que eram os últimos, passaram a ser os primeiros do ano seguinte. Todos os meses passaram a ter 31 e 30 dias, de forma intercalada, exceto Februaris que continuou com 29, acrescido de um dia a cada 3 anos – nosso conhecido bissexto.

O Senado romano adorou as mudanças, tanto que resolveu homenagear o ditador dando o seu nome ao sétimo mês. Alguns anos depois o Imperador Augusto percebeu o erro de cálculo e definiu o ano bissexto a cada quatro anos, e para não ficar deselegante o Senado deu a ele o oitavo mês de presente. Augusto ficou um pouco melindrado porque o mês de Julio tinha 31 dias e o seu tinha 30, então resolveu tirar um dia de Februaris e colocar em Augustus, trocando o número de dias de todos os meses subsequentes. O ano estava praticamente no seu formato atual.

Até que veio a Igreja Católica e quis dar seu pitaco. O Papa Gregório XIII achou um erro no cálculo dos romanos de 3 dias a cada 400 anos. Fez então o seguinte ajuste: excluiu 10 dias (5 a 14 de outubro de 1582, que simplesmente não existem) para corrigir o erro acumulado, e estabeleceu que o anos centenários não múltiplos de 400 (terminados em 000, 100, 200, 300, 500, 600, 700 e 900) não seriam bissextos. A mudança foi ínfima, mas como ele era papa e dada a mania de grandeza da instituição que ele representava, o calendário passou a ser chamado de Gregoriano. De início pouca gente deu bola para ele, e passados mais de 350 anos ainda havia países que não tinham adotado a mudança – o último foi a China em 1949.

Como se pode ver, a estrutura do calendário foi toda remendada com o passar dos anos, com critérios políticos e religiosos misturados a erros de cálculo astronômico. Já está mais do que na hora de uma nova reforma, à luz da ciência, da lógica e do racionalismo. Estamos abertos a propostas.

2 comentários:

  1. O melhor seria se todo mês tivesse 30 dias, mas para isso o dia não ia poder ter 24horas...
    Mas enquanto quisermos controlar o tempo teremos que fazer alguns ajustes e nos adaptar as variações.

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  2. O calendário Maia se baseia nos ciclos naturais da natureza. É bem mais preciso. Pior... vai acabar em 26/12/2012... aiaiai... o mundo vai acabar, e vai me pegar dançando e cantando! Se interessar: www.calendáriodapaz.com.br

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